"Não existe tal coisa como a abelha perfeita, ela tem de ser criada" - Brother Adam
Escusado será dizer que nos Açores não existem abelhas Buckfast, é proibida sua importação, é proibida sua criação e é proibido sonhar em ter qualquer exemplar deste híbrido.
Saudações apícolas.
sábado, 8 de novembro de 2014
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Fatores de sucesso na apicultura intensiva
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| Colmeias fortes são a chave para boas produções de mel |
Gosto pela atividade
Conhecimento
Fazer formações
Conhecer a biologia da abelha sabendo distinguir as melhores raças de abelhas para a sua região;
Conhecer a legislação apícola;
Saber onde e como instalar um apiário;
Etc.
Fazer um estágio ou acompanhar apicultores experientes nas suas idas ao campo.
Estudar muito, a Internet hoje põe tudo a nu.
Estruturas adequadas à atividade
Sítios para implementação dos apiário
Dotar a exploração de transporte para movimentação de todo o material apícola.
Armazém ou armazéns para colmeias/alças/quadros/ceras/mel/pólen/bidons de mel /maquinas enfrascadoras , tanques de processamento de cera, etc;
Melaria ou UPP certificada para extração de mel
Bom planeamento e organização
Tomar notas das operações efetuadas nas colónias
Planear de antemão o que fazer
Estabelecer prioridades
Tomar notas contabilísticas e estar a par do andamento das contas da exploração.
Maneio
Saber reconhecer e atuar perante debilidades/doenças da colmeia
Fazer uma boa seleção de rainhas
Saber identificar as boas matriarcas;
Utilizar bons métodos para uma boa percentagem de fecundação;
Reconhecer zonas de congregação de zangão e/ou estimular a criação de zangãos de colmeias selecionadas;
Bom plano de substituição periódica de rainha.
Adequar a exploração para aproveitamento das florações
Utilizar núcleos ou colónias saudáveis para fortalecer colmeias produtivas;
Transumar para zonas com melhores florações;
Colocação das alças nos timings corretos;
Se possível, fazer plantações melíferas relevantes nas proximidades de seus apiários.
Bom plano para repor efetivo devido a potenciais perdas.
Repor efetivo através da aquisição de núcleos ou packs de abelhas.
Tratamentos das ceras
Bom maneio no armazenamento das ceras “puxadas”.
Em caso de produção de pólen, um bom plano diário de recolha e processamento do pólen.
Crestar utilizando as regras de higiene e segurança alimentar.
Promoção dos produtos
Uso de meios publicitários
Oferta de produtos de qualidade
Escoamento dos produtos
Contratualização com revendedores/distribuidores
Encaminhamento dos produtos para as cooperativas/associações
Basicamente, requer-se muito rigor ao aplicar cada um destes pontos. Nesta lista faltam obviamente itens nomeadamente a quem deseja se especializar em produzir sub-produtos da colmeia, como a geleia real, própolis, apitóxina e enxames, ou produzir rainhas em larga escala. Uma chamada de atenção especial para os métodos de controlo de enxameação, que com a devida experiência dos apicultores e boa seleção de rainhas, é um ponto que será naturalmente tomado em conta. Falta também algo que não pode ser desconsiderado de forma nenhuma que é o combate especifico à varrose embora seja focado na lista as doenças, esta é quase uma moléstia crónica e, como tal, merece um tópico especifico, mas, felizmente para mim, ainda não tenho que lidar com a varroa e como tal não sou especialista na matéria embora a tenha estudado e feito trabalhos com apresentações sobre ela. Admiro em especial o método de tratamento orgânico que é descrito e usado pelo Afonso Silva, autor do Blog Abelhas do Agreste. Mas sinceramente, não arrisco a aconselhar nenhum método pois nunca experimentei na pratica nenhum.
Pode a apicultura ser um negócio rentável?
Formas de fazer dinheiro fácil
são "o pão nosso de cada dia" nas publicidades enganosas (ou não) que proliferam
na Internet. A oferta é apelativa, afinal, quem não gostaria de ter uns trocos
extra na carteira ao fim do mês? Com a recente crise e com o natural colapso de
muita empresas, muitos vêem o regresso à agricultura como um dos poucos meios ainda ao dispor das populações para fazer
algum dinheiro. Dentro da agricultura, uma das áreas de quem os "eruditos" dizem que pode
ser das mais rentáveis é a apicultura. Os apicultores torcem o nariz a esses
dizeres…
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Uma perspetiva macabra.
Pesquisando mais uma vez na
Internet sobre apicultura à procura de tópicos que falem da sua rentabilidade, somos na maior parte das vezes bombardeados com conselhos de
apicultores experientes e até outros menos experientes, a nos dizerem para não nos
metermos na apicultura "de cabeça". A aconselharem a não recorrermos a um
projeto com ajudas estatais e comunitárias. Conselhos a nos dizerem para nunca
entrarmos no negócio das abelhas com um empréstimo a crédito. Na maior parte das vezes basicamente somos
aconselhados a termos meia dúzia de colmeias no quintal e vivermos felizes com
isso. O próprio C.C.Miller (pai do 'metódo Miller' da criação de rainhas e uma referência mundial na apicultura) disse: "devo dizer que apicultura é um bom negócio para se deixar em paz, com as mesmas capacidades físicas e intelectuais que você usa para viver de apicultura, você seria capaz de viver muito melhor de qualquer outro trabalho." (A Thousand answers to beekeeping questions edição de 1917 Pagina 18) É o cenário assim tão mau como se pinta?
Os problemas da profissionalização
Ter meia dúzias de colmeias no
quintal, posso garantir, na maior parte das vezes, é rentável. Então, se é
rentável no quintal, porque não poderá ser rentável em “vários quintais”. Bem,
primeiro porque no nosso quintal não gastamos combustível para visitar e
cuidar das colmeias. No quintal, e com meia dúzia de colmeias, conseguimos
monitorizar todas, aumentado em muito as hipóteses de sucesso. No quintal, se
falharmos, podemos ter um prejuízo razoável, Em “vários quintais”, isto seria um prejuízo
muitas vezes irrecuperável até porque não podemos esquecer que temos de pagar o investimento. O que poderá falhar?
O conhecimento
Para que suas colmeias no quintal
possam produzir e gerar lucro, é preciso que você, o apicultor, saiba lidar com
as abelhas. É preciso saber detetar doenças, rainhas velhas, reconhecer boas florações melíferas, utilizar o meneio
adequado a cada estação, etc. etc. Para saber lidar com todos esses pontos é preciso
saber trabalhar com abelhas. Portanto, se você está interessado em ser
apicultor profissional, tenha muito, mas mesmo muito conhecimento sobre
abelhas. Faça formações, trabalhe com quem sabe, aprenda e aprenda muito antes
de avançar. Este é um dos fatores chaves para o sucesso. Mas não é o único.
O gosto pelas abelhas
Aprender algo que não gostamos
pode ser frustrante. No curso de apicultura que frequentei, numa turma de 20
alunos, apenas 2 se tornaram apicultores. Houve (sem exagero) quem tivesse
terminado o curso de duração de 1 ano meio, a lidar com abelhas quase
diariamente, que não sabia distinguir um Bombus
de uma abelha melífera. Porquê? Falta de gosto pela atividade. Eu não
recrimino. A maioria não estava ali por escolha mas sim por imposição. Quantas
vezes nós já não nos metemos numa coisa por gosto mas que ao fim de um certo
tempo perdemos a “pica” da coisa? Eu quando me iniciei adquiri umas colmeias
velhas feitas à mão por um ex-apicultor que desistiu da atividade. Reparei no
trabalho manual que aquele apicultor teve outrora ao fazer aquelas construções.
Foi certamente o gosto pela apicultura que o moveu a ser tão minucioso nos
pormenores da construção daquelas caixas, fundos e tampas para abelhas. Mas, um dia ele
desistiu e ofereceu as colmeias ao primeiro que se mostrou interessado em
adquiri-las de graça. Portanto, antes de pensar em ser apicultor profissional,
tenha as tais “meia dúzia de colmeias no quintal” e verifique se ama mesmo a
apicultura. A apicultura é um trabalho muito duro, cheio de altos e baixos nos
sucessos. Verifique se consegue lidar com isso.
Rentabilidade
Como é referido, e bem, por
muitos apicultores, a maior riqueza que se pode ter da apicultura é
precisamente viver ao lado de uma coisa que gostamos muito de fazer, vê-la
crescer, cuidar dela, estar com ela “diariamente”. Mas, e se quisermos fazer
desse amor o nosso emprego a tempo inteiro? Bem, não é sem razão que muitos
alertam para os perigos de nos metermos "de cabeça" nesta atividade. Apicultura é
uma atividade agrícola que está sujeita a muitos fatores. Um mau ano climático
pode fazer de uma colmeias que produziu 40 kg o ano passado, produzir zero este
ano. Agora veja isso numa escala grande. Se você tiver um empréstimo bancário
para 300 colmeias e num determinado ano seu lucro for zero ou perto disso, como
poderá pagar suas obrigações? E o que você comerá neste ano? No tal quintal com
meias dúzia de colmeias ainda nos conseguimos safar num mau ano, mas com 300…
Se conseguirmos minimizar o
impacto nefasto das falhas nos pontos chaves de sucesso, ter uma apicultura rentável
é bem possível. As produções médias de mel de uma colmeia podem se situar nos
20 kg/ano nos Açores. As cooperativas locais oferecem preços a rondar desde os
3 aos 5€/kg. no continente português essa oferta ao mel a granel rondara os 2,5 a 3€/kg (isto não mencionando valores referentes a mel DOP ou Biológico). Uma colmeia ainda pode produzir um ou dois subprodutos como o pólen
ou própolis. Num ano e sem grande impacto nas produções, ainda pode nos dar um
novo enxame. Faça as contas e veja. Se seu quintal é lucrativo, vários quintais
podem ser muito mais. Mas se o objetivo é ficar rico, desengane-se, é muito mais fácil
ficar rico noutra atividade qualquer do que na apicultura, mas se quer viver do
seu trabalho, sim, é possível, arriscado, mas possível. Qual o caminho então? Não me arrisco a indicar um caminho especifico, mas sugiro que veja a possibilidade de crescer de uma forma sustentável. Começar devagar e ir expandindo a exploração conforme as possibilidades será porventura a forma menos arriscada. Programas como o PRODER/PDR ou o PRO-RURAL são uma alternativa bem mais arriscada. Só não tanto arriscada como a de concorrer a "solo" a um crédito bancário.
O caso Açoriano
(Se o leitor não é Açoriano, este post já acabou para si.
Agora uma parte dirigida aos leitores Açorianos deste blog:)
Não seria a primeira vez que eu,
autor deste blog, criticaria as entidades competentes na área apícola nos Açores.
Há trabalho feito pelas cooperativas e um muito péssimo trabalho feito
pelas entidades governantes. Que tem
a ver com a rentabilidade apícola? Tudo!
É com gosto que acompanho muitos
blogs apícolas nacionais e estrangeiros e vejo o crescimento das explorações apícolas,
os seus sucessos e falhanços. Há muitas e muitas criticais ainda a fazer a nível
nacional pelo fraco desenvolvimento da apicultura. Mas mesmo assim ainda há condições
para apurar raças melíferas produtivas. Há condições para fazer transumância. Há
condições para se ter um apiário de 100 colmeias desde que a floração o
permita. Em contraste, nos Açores não há transumância a sério pois não se justifica
pela dimensão das ilhas. (Embora neste caso seja a geografia a culpada, a verdade é que lá se vai um dos fatores chaves de sucesso na
apicultura profissional 'por água abaixo').
Não há importações de material genético para rainhas
mais produtivas, e pior, não há apuramento genético do que já existe no arquipélago.
(Lá se vão dois fatores chaves de sucesso para uma apicultura profissional). Não
que eu defenda a reabertura do mercado de enxames, nada disso, mas tendo em conta a dificuldade em selecionar material genético com as abelhas locais, não deveriam os serviços agrícolas, que deveriam existir para servir os apicultores/agricultores, tomar a dianteira neste assunto? E que tal dar vida ao santuário, perdão, laboratório
de inseminação artificial pago com dinheiros públicos mas que não funciona nem há perspetivas de que alguma vez funcione? As ilhas Canárias têm um dos materiais genéticos apícolas de maior excelência
do mundo. Alguma semelhança com os Açores é literalmente pura coincidência. Os serviços agrícolas tem em sua posse várias colmeias, mas não
há informação de quaisquer resultados decorridos dessa posse. A pergunta que fica no ar para quem
começa a ficar por dentro da realidade apícola na ilha de S. Miguel é:
De que forma a secção apícola serve os apicultores da ilha afinal? Eu
não sei. Alguém sabe? Será que tem isso a ver com o facto de haver muitos apicultores a trabalhar na referida secção? Todos sabemos que ha muita inimizade entre alguns apicultores. Se alguém está a se servir do cargo que ocupa para se benificiar pessoalmente ou prejudicar outros que seja verificado. Como diz o povo, onde há fumo, há fogo. E há muito fumo no ar.
Nos Açores só são permitidos 25 colmeias por apiário.
Porquê 25? Porque não 40 ou 50? Porque não se discute esses assuntos com os
apicultores? (bem, com isto, já se vão 3 fatores chaves de sucesso para uma
apicultura profissional pelo cano abaixo).
Pesquisas necessárias para um real levantamento do potencial melífero dos Açores tem sido feitas todos os domingos de tarde na Papua Nova-Guiné desde os anos 20, não se sabe é dos resultados das pesquisas, mas que têm sido feitas, lá isso têm. Um reencaminhamento dos fundos destinados a pesquisas, direcionados exclusivamente ao departamento de Biologia da Universidade dos Açores seriam, digo eu, um bom princípio.
Com a sua geografia, mesmo assim será possível apicultura profissional nos
Açores? Bem, nas ilhas maiores e apenas nestas, há umas 3 explorações
profissionalizadas e mais umas quantas semiprofissionalizadas. Tire suas próprias
conclusões…
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sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Erva-da-abelha - a invasora dos potes de mel
Os Açores são conhecidos entre o
mundo da apicultura pelo seu mel característico inegualavel. Destacam-se logo à cabeça o
monofloral de Incenso e o mel multifloral com predominância de Trevo Branco. É
de ressalvar no entanto que existem muitas outras florações relevantes neste arquipélago.
Uma se calhar das mais relevantes é a chamada “erva-abelha” (Salpichroa origanifolia) ou “erva-da-abelha”
popularmente assim conhecida nos Açores pelos amantes das abelhas, mas que em
outras paragens é conhecida como “orelhas-de-cordeiro”.
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| Manto de Erva-Abelha |
É originária da América do Sul e
tudo indica que foi trazida para a Europa por apicultores pois ter-se-ão apercebido
da sua atração por parte das abelhas. As bagas que se formam depois das flores são
comestíveis em certas partes do mundo por onde essa planta altamente prolifera
se instalou, mas há quem lhes aponte uma certa toxicidade.
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| Foto: Rob and Fiona Richardson |
Entre os agricultores em geral esta
planta é considerada uma praga pois propaga-se com uma grande facilidade
competindo pelo espaço com outras plantas de valor agrícola ou ornamental. Tanto
pega por estaca como pela semente. Consegue trepar outras plantas inclusive
arvores. É considerada nos Açores como uma “feroz” invasora.
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| Pormenor das flores Foto: asminhasplantas.blogspot.com |
Ao que parece, os únicos que
ainda gostam desta planta são mesmo os apicultores. Embora as referências bibliográficas
sobre esta planta apontem para que floresça apenas no verão e início do outono,
na verdade é que, à exceção do inverno, em todo o ano por cá vê-se essa planta florida e
coberta de abelhas melíferas e por outras abelhas salvagens.
| Foto: casuaro.blogspot.com |
Embora não exista nenhum
monofloral da erva-da-abelha, é sem dúvida uma planta muito importante para a apicultura
nos Açores existindo em quase todas as ilhas à exceção do Pico e Corvo. Não é
por acaso que muita da alta produtividade que alguns apicultores têm em seus apiários,
acontece em áreas repletas desta pequena mini fábrica de néctar e pólen.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Apicultura "baratinha"
Este vídeo mostra como se pode fazer, de uma forma rápida e económica, três itens diferentes que um apicultor usa frequentemente. Normalmente, protetores de células reais, gaiolas de introdução e gaiolas de transporte de rainhas, são comercializados a preços acessíveis, mas quando comprado em grande numero, começa a pesar na carteira. A solução pode passar por fazer-los nós mesmos. Em menos de 3 minutos podemos fazer cada um destes itens. (perdoem-me estar em inglês mas mesmo para quem não entende a língua, consegue perceber como se faz)
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Em outubro ainda é verão
O que mais me fascina ao me deslocar aos meus apiários por
esta altura do ano, é ver a enorme azafama com que trabalham as minhas abelhas.
Hoje pela hora de almoço desloquei-me ao meu apiário principal e a azáfama era
tanta que parecia que as colmeias andavam a pilhar-se umas às outras. No
entanto, não era esse o caso. A entrada de pólen em algumas colmeias fez-me
lembrar a primavera. As abelhas andam muito entusiasmadas com a floração da
Bânccia e da Nespereira e a sempre inevitável "erva-da-abelha" (Salpichroa origanifolia) assim conhecida entre os apicultores da zona. Há alguns Eucaliptos também lá perto mas ainda não
floriu na sua máxima força e abelhas por lá não tenho visto muito. A quantidade
de zangões também é surpreendente para a altura do ano em que estamos e nem por
isso as guardas das colmeias os bloqueiam a passagem. Uma verdadeira primavera a 4 dias do início de novembro.
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