terça-feira, 28 de outubro de 2014

Apicultura "baratinha"


Este vídeo mostra como se pode fazer, de uma forma rápida e económica, três  itens diferentes que um apicultor usa frequentemente. Normalmente, protetores de células reais, gaiolas de introdução e gaiolas de transporte de rainhas, são comercializados a preços acessíveis, mas quando comprado em grande numero, começa a pesar na carteira. A solução pode passar por fazer-los nós mesmos. Em menos de 3 minutos podemos fazer cada um destes itens. (perdoem-me estar em inglês mas mesmo para quem não entende a língua, consegue perceber como se faz)


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Em outubro ainda é verão



O que mais me fascina ao me deslocar aos meus apiários por esta altura do ano, é ver a enorme azafama com que trabalham as minhas abelhas. Hoje pela hora de almoço desloquei-me ao meu apiário principal e a azáfama era tanta que parecia que as colmeias andavam a pilhar-se umas às outras. No entanto, não era esse o caso. A entrada de pólen em algumas colmeias fez-me lembrar a primavera. As abelhas andam muito entusiasmadas com a floração da Bânccia e da Nespereira e a sempre inevitável "erva-da-abelha" (Salpichroa origanifolia) assim conhecida entre os apicultores da zona.  Há alguns Eucaliptos também lá perto mas ainda não floriu na sua máxima força e abelhas por lá não tenho visto muito. A quantidade de zangões também é surpreendente para a altura do ano em que estamos e nem por isso as guardas das colmeias os bloqueiam a passagem. Uma verdadeira primavera a 4 dias do início de novembro.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Bânccia - Uma floração improvável em outubro.

Fonte: http://www.azoresbioportal.angra.uac.pt

Uma floração que aparece logo após a altura da cresta nos Açores é a da famosa Cigarrilheira ou Bânccia (Banksia integrifolia L.). Trata-se de um arbusto muito utilizado em sabes devido ao seu crescimento rápido e é ideal para proteger culturas agrícolas pela sua enorme resistência ao vento e ao salgado do mar. Tem uma flor que faz lembrar a flor de Metrosidero ou mais propriamente seu primo "Limpa Garrafas" (Callistemon citrinus), só que em vez de avermelhado normalmente apresenta-se em tons de amarelo.

Flor da Bânccia
O meu maior gaudio para com esta planta (para além da quantidade de nectar) é a altura em que floresce, e diria que aparece numa altura crucial, onde começa a escacear as florações mais relevantes na maioria das ilhas dos Açores. É certo que em muitas zonas a partir de outubro podemos contar com a floração do Eucalipto, e da Nespereira, mas um reforço da Bânccia é muito bem vinda isto a fazer fé na quantidade de nectar que esse tipo de flores apresenta. No seu habitat de origem (Austrália) é uma planta que, tal como acontece com o Metrosidero, é polinizada por passaros o que atesta a sua enorme capacidade de produção de nectar.  Curioso foi observar que uma abelha pode ficar atestada de nectar sem ter de mudar de flor. Na observação exaustiva que fiz em busca das localizações desta flor, reparei que esta floresce muito mais em Bânccias "despresadas" ou salvagens do que propriamente nas Bânccias tratadas (roçadas) que formam as sebes.

A sua distribuição nos Açores é quase generalizada a todas as ilhas exceptuando-se as ilhas da Terceira, Pico e Corvo.
 

Distribuição da Banksia integrifolia L.
Fonte: http://www.azoresbioportal.angra.uac.pt


Interessante que desde criança sempre conheci esta planta pois brincava com as famosas cigarrilhas que produz a fingir de cigarros, mas nunca havia reparado na sua flor. O material que se forma após a  floração, (uma especie de pinha mal formada que me escapa o nome), também é muito bom para a combustão do fumigador. 



O unico senão da altura da floração é a falta de bom tempo. É preciso sol que permita uma recolha eficiente das nossas meninas a esta dádiva em tempo de escassez para assim não nos preocuparmos em demasia com a manutenção de reservas no inverno.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Incubadora de Rainhas

Uma das coisas que, na minha opinião, deveria fazer parte da essência do ser-se apicultor, é a predisposição para partilhar conhecimento. Eu pessoalmente beneficiei de inúmeras informações que foram sendo divulgadas em formações, blogues, vídeos, livros, sites e por partilha direta de apicultores mais experientes.  Com esse espírito, foi partilhado no blogue "Contos do Mestreiro" informação detalhada de como construir uma incubadora de rainhas onde se  pode poupar mais de 1000€ pois os preços destas incubadoras são, como se sabe, elevadíssimos. Ora vejam...

http://contosdomestreiro.blogspot.pt/2014/07/incubadora-de-mestreiros.html

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Açores e a exportação de enxames

Um vídeo onde é demonstrado que as mais-valia das abelhas açorianas já são reconhecidas no arquipélago vizinho. Esperemos que sejam os primeiros passos de muitos mais...  

sábado, 6 de setembro de 2014

Desdobramentos dentro do mesmo apiário




Umas das coisas que senti necessidade quando ainda tinha apenas um apiário, foi de poder fazer sem riscos os desdobramentos que necessitava. Meu primeiro apiário situa-se num local cujo acesso não está 100% disponível de carro o ano inteiro. Fica situado após uma pastagem com cerca de 100 metros com uma pequena inclinação. Assim, quando a erva da pastagem está alta, torna-se inviável aproximar-me de carro ao apiário. Depois, transportar colmeias ou mesmo núcleos por 100 metros é terrível, dissuadindo qualquer apicultor. Ainda mais, eu só tinha 2 colmeias quando iniciei a atividade, não se justificando obter na altura mais apiários. Mas cedo senti a necessidade de fazer desdobramentos para aumentar efetivos. Existem alguns métodos de fazer desdobramentos dentro do mesmo apiario. Quanto ao que eu usei e que passo a descrever, não me lembro se o li em algum lado ou apenas foi fazendo experiências, mas eis como fui fazendo: 
Quando a colmeia a ser desdobrada estava forte, eu fazia como em qualquer desdobramento, retirava um quadro de criação operculada, um com larvas e ovos e outro misto, todos com as respetivas abelhas, depois reforçava com mel e pólen nas laterais. Se necessário, reforçava com mais abelhas de outros quadros. Ai começam as diferenças dos métodos de levar o núcleo para outro apiário, é que normalmente leva-se esse recém-constituído núcleo para longe, para outro apiário, a 3 km no mínimo. Eu de minha parte tive então de fazer experiencias. Em vez de retirar o núcleo sem rainha para longe, deixava-o no sítio da colmeia original, e retirava a colmeia com a rainha e colocava ligeiramente mais afastada.
 Experimentei varias distancias e a que me pareceu melhor foi a de deixar a colmeia original com a rainha cerca de 50 cm do sítio original, ou seja, praticamente ao lado. Quando as campeiras voltavam do campo deparavam-se com um núcleo no lugar da colmeia e notava-se uma certa hesitação das abelhas em entrar, fazendo com que algumas fossem para a colmeia com a rainha, mas também um grande número de campeiras entrava no núcleo. O número de campeiras ficava assim mais ou menos dividido. Ora, há no entanto algumas coisas que contribuem para a escolha das campeiras por determinada colónia. Antes de qualquer manobra de desdobramento a colmeia a se desdobrar deve estar isolada de outras colmeias, pois isso facilita a divisão posterior das campeiras. Quando assim não é feito e há uma colmeia ao lado da colmeia a desdobrar, depois de se efetuar o desdobramento, as abelhas que veem do campo vão partir do pressuposto que a colmeia original não é a sua, mas sim a que estava ao lado da sua, não entrando nela e indo todas parar ao núcleo. 

O ideal seria não haver colmeias (mesmo que sem abelhas) ao lado da colmeia a desdobrar e depois de então ter sido feito a divisão, trocar a posição da colmeia que ficou com a rainha com o núcleo resultante. 
Depois de feito o desdobramento trocar a posição da colmeia mãe e o núcleo para confundir e dividir as campeiras.


É um método que resultou para mim, aumentei nesse ano o meu efeticvo em 500% (2 + 500% = 12. [Espero que seja assim que se faça essa conta]) mas devo acrescentar que no ano em que fiz isso não tinha preocupações em produzir mel pois tinha definido que seria um ano de investimento para aumentar efetivo. Mesmo que as colonias ficassem desequilibradas em número de campeiras, isso não me preocupava muito. Não se trata de uma ciência exata porque como sabemos o que resulta para uns pode não resultar com outros até porque as raças de abelhas diferentes têm comportamentos diferentes perante a mesma situação e a deriva das iberiensis tem menos pergaminhos que a linguística.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Apiário auto-sustentavel por Mike Palmer



Mike Palmer neste vídeo destaca a importância de fazer núcleos para suportar as colmeias produtivas sem recorrer a transumancia mas mantendo a rentabilidade. Ele explica como esses núcleos são uns autênticos mini reatores de fabricação de cera, criação, abelhas adultas, rainhas, reposição de efetivo, entre outras vantagens sem nunca sacrificar as colmeias produtoras de mel e pólen, pelo contrário, só fortalecem a essas.
Excelente palestra. Para quem percebe americanês pois legendas são por um canudo :)