O que mais me fascina ao me deslocar aos meus apiários por
esta altura do ano, é ver a enorme azafama com que trabalham as minhas abelhas.
Hoje pela hora de almoço desloquei-me ao meu apiário principal e a azáfama era
tanta que parecia que as colmeias andavam a pilhar-se umas às outras. No
entanto, não era esse o caso. A entrada de pólen em algumas colmeias fez-me
lembrar a primavera. As abelhas andam muito entusiasmadas com a floração da
Bânccia e da Nespereira e a sempre inevitável "erva-da-abelha" (Salpichroa origanifolia) assim conhecida entre os apicultores da zona. Há alguns Eucaliptos também lá perto mas ainda não
floriu na sua máxima força e abelhas por lá não tenho visto muito. A quantidade
de zangões também é surpreendente para a altura do ano em que estamos e nem por
isso as guardas das colmeias os bloqueiam a passagem. Uma verdadeira primavera a 4 dias do início de novembro.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Bânccia - Uma floração improvável em outubro.
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| Fonte: http://www.azoresbioportal.angra.uac.pt |
Uma floração
que aparece logo após a altura da cresta nos Açores é a da famosa Cigarrilheira
ou Bânccia (Banksia integrifolia L.). Trata-se de um arbusto muito utilizado em sabes devido ao seu crescimento rápido e é ideal para
proteger culturas agrícolas pela sua enorme resistência ao vento e ao salgado do mar.
Tem uma flor que faz lembrar a flor de Metrosidero ou mais propriamente seu primo "Limpa Garrafas" (Callistemon citrinus), só que em vez de avermelhado normalmente apresenta-se em tons de amarelo.
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| Flor da Bânccia |
O meu maior gaudio para com esta planta (para além da quantidade de nectar) é a altura em que floresce, e diria que aparece numa altura crucial, onde começa a escacear as florações mais relevantes na maioria das ilhas dos Açores. É certo que em muitas zonas a partir de outubro podemos contar com a floração do Eucalipto, e da Nespereira, mas um reforço da Bânccia é muito bem vinda isto a fazer fé na quantidade de nectar que esse tipo de flores apresenta. No seu habitat de origem (Austrália) é uma planta que, tal como acontece com o Metrosidero, é polinizada por passaros o que atesta a sua enorme capacidade de produção de nectar. Curioso foi observar que uma abelha pode ficar atestada de nectar sem ter de mudar de flor. Na observação exaustiva que fiz em busca das localizações desta flor, reparei que esta floresce muito mais em Bânccias "despresadas" ou salvagens do que propriamente nas Bânccias tratadas (roçadas) que formam as sebes.
A sua distribuição nos Açores é quase generalizada a todas as ilhas exceptuando-se as ilhas da Terceira, Pico e Corvo.
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| Distribuição da Banksia integrifolia L. Fonte: http://www.azoresbioportal.angra.uac.pt |
O unico senão da altura da floração é a falta de bom tempo. É preciso sol que permita uma recolha
eficiente das nossas meninas a esta dádiva em tempo de escassez para assim não nos
preocuparmos em demasia com a manutenção de reservas no inverno.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Incubadora de Rainhas
Uma das coisas que, na minha opinião, deveria fazer parte da essência do ser-se apicultor, é a predisposição para partilhar conhecimento. Eu pessoalmente beneficiei de inúmeras informações que foram sendo divulgadas em formações, blogues, vídeos, livros, sites e por partilha direta de apicultores mais experientes. Com esse espírito, foi partilhado no blogue "Contos do Mestreiro" informação detalhada de como construir uma incubadora de rainhas onde se pode poupar mais de 1000€ pois os preços destas incubadoras são, como se sabe, elevadíssimos. Ora vejam...
http://contosdomestreiro.blogspot.pt/2014/07/incubadora-de-mestreiros.html
http://contosdomestreiro.blogspot.pt/2014/07/incubadora-de-mestreiros.html
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Açores e a exportação de enxames
Um vídeo onde é demonstrado que as mais-valia das abelhas açorianas já são reconhecidas no arquipélago vizinho. Esperemos que sejam os primeiros passos de muitos mais...
sábado, 6 de setembro de 2014
Desdobramentos dentro do mesmo apiário
Umas das coisas que senti
necessidade quando ainda tinha apenas um apiário, foi de poder fazer sem riscos
os desdobramentos que necessitava. Meu primeiro apiário situa-se num local cujo
acesso não está 100% disponível de carro o ano inteiro. Fica situado após uma
pastagem com cerca de 100 metros com uma pequena inclinação. Assim, quando a
erva da pastagem está alta, torna-se inviável aproximar-me de carro ao apiário.
Depois, transportar colmeias ou mesmo núcleos por 100 metros é terrível,
dissuadindo qualquer apicultor. Ainda mais, eu só tinha 2 colmeias quando
iniciei a atividade, não se justificando obter na altura mais apiários. Mas cedo
senti a necessidade de fazer desdobramentos para aumentar efetivos. Existem alguns métodos de fazer desdobramentos dentro do mesmo apiario. Quanto ao que eu usei e que passo a descrever, não me
lembro se o li em algum lado ou apenas foi fazendo experiências, mas eis
como fui fazendo:
Quando a colmeia a ser desdobrada estava forte, eu fazia como
em qualquer desdobramento, retirava um quadro de criação operculada, um com larvas e ovos e outro misto, todos com as respetivas abelhas, depois reforçava
com mel e pólen nas laterais. Se necessário, reforçava com mais abelhas de outros quadros. Ai começam as diferenças dos métodos de levar o núcleo
para outro apiário, é que normalmente leva-se esse recém-constituído núcleo para
longe, para outro apiário, a 3 km no mínimo. Eu de minha parte tive então de fazer experiencias. Em
vez de retirar o núcleo sem rainha para longe, deixava-o no sítio da colmeia
original, e retirava a colmeia com a rainha e colocava ligeiramente mais
afastada.
Experimentei varias distancias e a que me pareceu melhor foi a de
deixar a colmeia original com a rainha cerca de 50 cm do sítio original, ou
seja, praticamente ao lado. Quando as campeiras voltavam do campo deparavam-se
com um núcleo no lugar da colmeia e notava-se uma certa hesitação das abelhas
em entrar, fazendo com que algumas fossem para a colmeia com a rainha, mas
também um grande número de campeiras entrava no núcleo. O número de campeiras
ficava assim mais ou menos dividido. Ora, há no entanto algumas coisas que contribuem para a
escolha das campeiras por determinada colónia. Antes de qualquer manobra de desdobramento
a colmeia a se desdobrar deve estar isolada de outras colmeias, pois isso facilita a divisão
posterior das campeiras. Quando assim não é feito e há uma colmeia ao lado
da colmeia a desdobrar, depois de se efetuar o desdobramento, as abelhas que veem
do campo vão partir do pressuposto que a colmeia original não é a sua, mas sim
a que estava ao lado da sua, não entrando nela e indo todas parar ao núcleo.
O ideal seria não haver colmeias
(mesmo que sem abelhas) ao lado da colmeia a desdobrar e depois de então ter
sido feito a divisão, trocar a posição da colmeia que ficou com a rainha com o núcleo
resultante.
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| Depois de feito o desdobramento trocar a posição da colmeia mãe e o núcleo para confundir e dividir as campeiras. |
É um método que resultou para mim, aumentei nesse ano o meu efeticvo em 500% (2 + 500% = 12. [Espero que seja assim que se faça essa conta]) mas devo acrescentar que no ano em que fiz isso não tinha preocupações em produzir
mel pois tinha definido que seria um ano de investimento para aumentar efetivo. Mesmo que as colonias
ficassem desequilibradas em número de campeiras, isso não me preocupava muito.
Não se trata de uma ciência exata porque como sabemos o que resulta para uns
pode não resultar com outros até porque as raças de abelhas diferentes têm
comportamentos diferentes perante a mesma situação e a deriva das iberiensis tem menos pergaminhos que a linguística.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Apiário auto-sustentavel por Mike Palmer
Mike Palmer neste vídeo destaca a importância de fazer núcleos para suportar as colmeias produtivas sem recorrer a transumancia mas mantendo a rentabilidade. Ele explica como esses núcleos são uns autênticos mini reatores de fabricação de cera, criação, abelhas adultas, rainhas, reposição de efetivo, entre outras vantagens sem nunca sacrificar as colmeias produtoras de mel e pólen, pelo contrário, só fortalecem a essas.
Excelente palestra. Para quem percebe americanês pois legendas são por um canudo :)
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Rainhas novas e produtivas.
Hoje foi dia de marcar rainhas.
As fecundações correram bem apesar do atípico frio do mês de abril. As rainhas
foram à fecundação mal começou o bom tempo. Agora é continuar a alimentar para
que formem colónias fortes a ver se ainda vão a tempo de fazerem reservas para
o (meu) inverno. Amanhã começo a limpeza do meu futuro apiário que apesar de estar
a mais de 300 metros de altitude (em S. Miguel é uma altitude quase proibitiva para criação de abelhas), tenho confiança que no verão vai ser um excelente
apiário para produção de mel. A ver vamos.
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