quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Incubadora de Rainhas

Uma das coisas que, na minha opinião, deveria fazer parte da essência do ser-se apicultor, é a predisposição para partilhar conhecimento. Eu pessoalmente beneficiei de inúmeras informações que foram sendo divulgadas em formações, blogues, vídeos, livros, sites e por partilha direta de apicultores mais experientes.  Com esse espírito, foi partilhado no blogue "Contos do Mestreiro" informação detalhada de como construir uma incubadora de rainhas onde se  pode poupar mais de 1000€ pois os preços destas incubadoras são, como se sabe, elevadíssimos. Ora vejam...

http://contosdomestreiro.blogspot.pt/2014/07/incubadora-de-mestreiros.html

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Açores e a exportação de enxames

Um vídeo onde é demonstrado que as mais-valia das abelhas açorianas já são reconhecidas no arquipélago vizinho. Esperemos que sejam os primeiros passos de muitos mais...  

sábado, 6 de setembro de 2014

Desdobramentos dentro do mesmo apiário




Umas das coisas que senti necessidade quando ainda tinha apenas um apiário, foi de poder fazer sem riscos os desdobramentos que necessitava. Meu primeiro apiário situa-se num local cujo acesso não está 100% disponível de carro o ano inteiro. Fica situado após uma pastagem com cerca de 100 metros com uma pequena inclinação. Assim, quando a erva da pastagem está alta, torna-se inviável aproximar-me de carro ao apiário. Depois, transportar colmeias ou mesmo núcleos por 100 metros é terrível, dissuadindo qualquer apicultor. Ainda mais, eu só tinha 2 colmeias quando iniciei a atividade, não se justificando obter na altura mais apiários. Mas cedo senti a necessidade de fazer desdobramentos para aumentar efetivos. Existem alguns métodos de fazer desdobramentos dentro do mesmo apiario. Quanto ao que eu usei e que passo a descrever, não me lembro se o li em algum lado ou apenas foi fazendo experiências, mas eis como fui fazendo: 
Quando a colmeia a ser desdobrada estava forte, eu fazia como em qualquer desdobramento, retirava um quadro de criação operculada, um com larvas e ovos e outro misto, todos com as respetivas abelhas, depois reforçava com mel e pólen nas laterais. Se necessário, reforçava com mais abelhas de outros quadros. Ai começam as diferenças dos métodos de levar o núcleo para outro apiário, é que normalmente leva-se esse recém-constituído núcleo para longe, para outro apiário, a 3 km no mínimo. Eu de minha parte tive então de fazer experiencias. Em vez de retirar o núcleo sem rainha para longe, deixava-o no sítio da colmeia original, e retirava a colmeia com a rainha e colocava ligeiramente mais afastada.
 Experimentei varias distancias e a que me pareceu melhor foi a de deixar a colmeia original com a rainha cerca de 50 cm do sítio original, ou seja, praticamente ao lado. Quando as campeiras voltavam do campo deparavam-se com um núcleo no lugar da colmeia e notava-se uma certa hesitação das abelhas em entrar, fazendo com que algumas fossem para a colmeia com a rainha, mas também um grande número de campeiras entrava no núcleo. O número de campeiras ficava assim mais ou menos dividido. Ora, há no entanto algumas coisas que contribuem para a escolha das campeiras por determinada colónia. Antes de qualquer manobra de desdobramento a colmeia a se desdobrar deve estar isolada de outras colmeias, pois isso facilita a divisão posterior das campeiras. Quando assim não é feito e há uma colmeia ao lado da colmeia a desdobrar, depois de se efetuar o desdobramento, as abelhas que veem do campo vão partir do pressuposto que a colmeia original não é a sua, mas sim a que estava ao lado da sua, não entrando nela e indo todas parar ao núcleo. 

O ideal seria não haver colmeias (mesmo que sem abelhas) ao lado da colmeia a desdobrar e depois de então ter sido feito a divisão, trocar a posição da colmeia que ficou com a rainha com o núcleo resultante. 
Depois de feito o desdobramento trocar a posição da colmeia mãe e o núcleo para confundir e dividir as campeiras.


É um método que resultou para mim, aumentei nesse ano o meu efeticvo em 500% (2 + 500% = 12. [Espero que seja assim que se faça essa conta]) mas devo acrescentar que no ano em que fiz isso não tinha preocupações em produzir mel pois tinha definido que seria um ano de investimento para aumentar efetivo. Mesmo que as colonias ficassem desequilibradas em número de campeiras, isso não me preocupava muito. Não se trata de uma ciência exata porque como sabemos o que resulta para uns pode não resultar com outros até porque as raças de abelhas diferentes têm comportamentos diferentes perante a mesma situação e a deriva das iberiensis tem menos pergaminhos que a linguística.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Apiário auto-sustentavel por Mike Palmer



Mike Palmer neste vídeo destaca a importância de fazer núcleos para suportar as colmeias produtivas sem recorrer a transumancia mas mantendo a rentabilidade. Ele explica como esses núcleos são uns autênticos mini reatores de fabricação de cera, criação, abelhas adultas, rainhas, reposição de efetivo, entre outras vantagens sem nunca sacrificar as colmeias produtoras de mel e pólen, pelo contrário, só fortalecem a essas.
Excelente palestra. Para quem percebe americanês pois legendas são por um canudo :)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Rainhas novas e produtivas.



Hoje foi dia de marcar rainhas. As fecundações correram bem apesar do atípico frio do mês de abril. As rainhas foram à fecundação mal começou o bom tempo. Agora é continuar a alimentar para que formem colónias fortes a ver se ainda vão a tempo de fazerem reservas para o (meu) inverno. Amanhã começo a limpeza do meu futuro apiário que apesar de estar a mais de 300 metros de altitude (em S. Miguel é uma altitude quase proibitiva para criação de abelhas), tenho confiança que no verão vai ser um excelente apiário para produção de mel. A ver vamos.

sábado, 26 de abril de 2014

Desdobramentos em abril chuvoso e frio

Abril tem se revelado um mês bastante chuvoso como é de costume, mas tem apresentado temperaturas abaixo do normal. Com tais condições, muitos apicultores açorianos optam por adiar os desdobramentos para o mês de maio ou ainda lá mais para o verão. Optei por faze-los já em abril por 2 motivos: 1º não farei criação de rainhas (pelo método Doolittle), simplesmente multiplicarei as colonias e esperarei as abelhas criarem naturalmente as suas mestras, isso dará tempo para que a temperatura aumente apesar de já haver alvelos em desenvolvimento. E 2º visto que tenho colmeias reversíveis e o mês de março ter-se mostrado um mini verão cheio de floração, a febre de enxameação veio mais cedo e mostrando-me elas que queria enxamear, desdobro-as eu e não perco efetivo e evito ter mestras de alvéolos de emergência que originariam certamente rainhas de má qualidade. Em um dos desdobramentos a rainha já nasceu. Agora é esperar que esses dias a temperatura suba um pouco para permitir a fecundação.
Colmeia com febre de enxameação em principios de março.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Prevenção de enxameação (método de “arrefecimento do ninho”)

Uma das características da Apis mellifera iberiensis é a sua propensão para a enxameação. Existem algumas formas de prevenir este fenómeno. Abrir o ninho duma colmeia é mexer no coração desta, dai a importância do maneio adequado nesta zona crucial para o bom desempenho da colonia.
A técnica de arrefecimento do ninho é muito utilizada pelos apicultores pois para além de prevenir a enxameação, ainda permite a substituição de ceras. Esta é uma técnica onde quadros com cera alveolada são colocados entre os quadros de ninho. Com isto, retarda-se a enxameação, substitui-se ceras do ninho e impulsiona-se a postura da rainha.
Aqui estão os passos básicos:
·         Ao primeiro sinal de cera branca perto do topo dos quadros de ninho é sinal que se pode começar a utilizar esta técnica de maneio.
·         Deve-se retirar um dos quadros perto do meio da câmara de criação. Este espaço deve preencher-se de abelhas dentro de cerca de cinco minutos. Se isso não acontecer, é muito cedo para introduzir este método porque não há abelhas suficientes para puxar ceras rapidamente. Espere até que a colmeia fique mais forte.
·         Supondo que o espaço vazio se enche de abelhas rapidamente, devemos devolver o quadro para a mesma posição.
·         Retire um quadro de uma das laterais (sem criação) para fora da caixa, e empurre os quadros restantes para o lado, deixando o espaço vazio perto do meio do ninho.
·         Coloque um novo quadro com cera alveolada no espaço vazio. As abelhas vão agora dirigir sua energia para a puxar a cera e preencher o ninho de criação em vez de enxamear.
Notas:
Dependendo da força da colmeia, um ou talvez dois quadros de cera alveolada pode ser adicionado à caixa de ninho. Cada quadro vazio deve ter criação de cada lado de preferência operculada.
Se todos os quadros do ninho já têm criação, deve-se colocar um destes na parte central do sobre-ninho.
Para ser bem-sucedido com este método, talvez você tenha que reabrir o ninho e adicionar novos quadros todas as semanas enquanto durar a temporada de enxameação, ou seja, requer-se um monitoramento constante.
O timing para aplicar esta técnica é muito importante. Isso deve ser feito antes do impulso enxameador começar ou é completamente ineficaz. Por outro lado, se aplicar o método muito cedo pode perturbar o normal funcionamento da criação comprometendo a vigor da colmeia.

 Quando o ninho está dividido (e de facto estará por um período de tempo) necessitará de mais abelhas para manter a criação aquecida. Uma noite fria inesperada logo após a aplicação desta técnica poderia devastar a colônia. Então, se você decidir experimentar este método de controlo de enxameação, deverá fazê-lo com cautela: Ver cuidadosamente a força da colônia e prestar muita atenção as condições climáticas.

(baseado no artigo: http://www.honeybeesuite.com/how-to-open-the-brood-nest/)