Mike Palmer neste vídeo destaca a importância de fazer núcleos para suportar as colmeias produtivas sem recorrer a transumancia mas mantendo a rentabilidade. Ele explica como esses núcleos são uns autênticos mini reatores de fabricação de cera, criação, abelhas adultas, rainhas, reposição de efetivo, entre outras vantagens sem nunca sacrificar as colmeias produtoras de mel e pólen, pelo contrário, só fortalecem a essas.
Excelente palestra. Para quem percebe americanês pois legendas são por um canudo :)
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Rainhas novas e produtivas.
Hoje foi dia de marcar rainhas.
As fecundações correram bem apesar do atípico frio do mês de abril. As rainhas
foram à fecundação mal começou o bom tempo. Agora é continuar a alimentar para
que formem colónias fortes a ver se ainda vão a tempo de fazerem reservas para
o (meu) inverno. Amanhã começo a limpeza do meu futuro apiário que apesar de estar
a mais de 300 metros de altitude (em S. Miguel é uma altitude quase proibitiva para criação de abelhas), tenho confiança que no verão vai ser um excelente
apiário para produção de mel. A ver vamos.
sábado, 26 de abril de 2014
Desdobramentos em abril chuvoso e frio
Abril tem se revelado um mês
bastante chuvoso como é de costume, mas tem apresentado temperaturas abaixo do
normal. Com tais condições, muitos apicultores açorianos optam por adiar os
desdobramentos para o mês de maio ou ainda lá mais para o verão. Optei por
faze-los já em abril por 2 motivos: 1º não farei criação de rainhas (pelo método Doolittle),
simplesmente multiplicarei as colonias e esperarei as abelhas criarem
naturalmente as suas mestras, isso dará tempo para que a temperatura aumente apesar de já haver alvelos em desenvolvimento. E 2º visto que tenho colmeias reversíveis e o mês
de março ter-se mostrado um mini verão cheio de floração, a febre de enxameação
veio mais cedo e mostrando-me elas que queria enxamear, desdobro-as eu e não perco
efetivo e evito ter mestras de alvéolos de emergência que originariam
certamente rainhas de má qualidade. Em um dos desdobramentos a rainha já
nasceu. Agora é esperar que esses dias a temperatura suba um pouco para permitir a
fecundação.
![]() |
| Colmeia com febre de enxameação em principios de março. |
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Prevenção de enxameação (método de “arrefecimento do ninho”)
Uma das características da Apis mellifera iberiensis é a sua propensão
para a enxameação. Existem algumas formas de prevenir este fenómeno. Abrir o
ninho duma colmeia é mexer no coração desta, dai a importância do maneio adequado
nesta zona crucial para o bom desempenho da colonia.
A técnica de arrefecimento do
ninho é muito utilizada pelos apicultores pois para além de prevenir a
enxameação, ainda permite a substituição de ceras. Esta é uma técnica onde quadros
com cera alveolada são colocados entre os quadros de ninho. Com isto,
retarda-se a enxameação, substitui-se ceras do ninho e impulsiona-se a postura
da rainha.
Aqui estão os passos básicos:
·
Ao primeiro sinal de cera branca perto do topo dos
quadros de ninho é sinal que se pode começar a utilizar esta técnica de maneio.
·
Deve-se retirar um dos quadros perto do meio da
câmara de criação. Este
espaço deve preencher-se de abelhas dentro de cerca de cinco minutos. Se
isso não acontecer, é muito cedo para introduzir este método porque não há
abelhas suficientes para puxar ceras rapidamente. Espere até que a colmeia
fique mais forte.
·
Supondo que o espaço vazio se enche de abelhas rapidamente,
devemos devolver o quadro para a mesma posição.
·
Retire um quadro de uma das laterais (sem
criação) para fora da caixa, e empurre os quadros restantes para o lado,
deixando o espaço vazio perto do meio do ninho.
·
Coloque um novo quadro com cera alveolada no espaço
vazio. As
abelhas vão agora dirigir sua energia para a puxar a cera e preencher o ninho
de criação em vez de enxamear.
Notas:
Dependendo da força da colmeia,
um ou talvez dois quadros de cera alveolada pode ser adicionado à caixa de ninho.
Cada
quadro vazio deve ter criação de cada lado de preferência operculada.
Se todos os quadros do ninho já
têm criação, deve-se colocar um destes na parte central do sobre-ninho.
Para ser bem-sucedido com este método,
talvez você tenha que reabrir o ninho e adicionar novos quadros todas as semanas
enquanto durar a temporada de enxameação, ou seja, requer-se um monitoramento constante.
O timing para aplicar esta técnica é muito importante. Isso
deve ser feito antes do impulso enxameador começar ou é completamente ineficaz.
Por
outro lado, se aplicar o método muito cedo pode perturbar o normal
funcionamento da criação comprometendo a vigor da colmeia.
Quando
o ninho está dividido (e de facto estará por um período de tempo) necessitará
de mais abelhas para manter a criação aquecida. Uma
noite fria inesperada logo após a aplicação desta técnica poderia devastar a colônia.
Então, se você decidir experimentar este método de controlo de enxameação,
deverá fazê-lo com cautela: Ver cuidadosamente a força da colônia e prestar
muita atenção as condições climáticas.
(baseado no artigo: http://www.honeybeesuite.com/how-to-open-the-brood-nest/)
(baseado no artigo: http://www.honeybeesuite.com/how-to-open-the-brood-nest/)
terça-feira, 1 de abril de 2014
Algo pior que varrose...
Uma das
alturas mais importantes no panorama da apicultura açoriana começa precisamente por esta altura, mais precisamente no final do inverno e estende-se até à primavera. Trata-se da floração do incenso que
origina um mel Monofloral único no mundo. Comercializado a preços mais elevados
do que o mel Multifloral, este ‘néctar dos deuses’ pode ser considerado como
sendo uma grande dádiva que vem colmatar a falta de “dádivas” a que os apicultores
nacionais e em particular os açorianos estão sujeitos por parte do ministério
da agricultura e suas sucursais regionais. Quero com esta introdução mostrar o paradoxo que existe entre
as boas condições para criar abelhas e as más condições providas por quem
deveria ajudar, tudo isto neste espaço geográfico tão pequeno chamado Açores. Ora vejamos do que venho aqui tratar hoje:
- Em S. Miguel nos Açores não se promove como se devia a apicultura de tal modo que sugiro que o laboratório de inseminação artificial de rainhas seja cedido a algum privado que faça uso dele. Se não funciona, feche-se! O mesmo acontecendo com a parte do tratamento das ceras e que se extinga de vez a secção apícola dos serviços de desenvolvimento agrário de S. Miguel. Formações podem e são feitas pela cooperativa Casermel e por outros privados. De resto não há mais utilidade em manter a referida secção apícola que só gasta dinheiro público e não faz absolutamente nada de relevante. Quantas vezes um apicultor se desloca aos referidos serviços para trocar cera e não há ninguém a atender. Queremos registar um apiario e não conseguimos porque não há ninguém que o faça (quando o funcionário está de férias) e reencaminham nos para outro gabinete e lá ninguém percebe de apicultura nem tem os programas para registo e reencaminham nos de novo e nunca mais saímos disso. A vontade não é deixar de registar os apiários? A mim já deu essa vontade. Há ceras no mercado regional que são vendidas sem passarem pela obrigatória esterilização e há pleno conhecimento disso mas não se faz nada. As pesquisas que são necessárias ao desenvolvimento da apicultura local podem e devem ser feitas pela Universidade dos Açores visto que de mais nenhum lado surgem resultados de pesquisas. Se não funciona e só serve para gastar dinheiro ao erário público: Feche-se!
- Não sei que novas medidas de apoio serão dirigidas aos apicultores da região mas espera-se realmente uma franca melhoria em relação ao antigo programa de apoio, a saber, o pro-rural. Este referido programa é a versão açoriana do ProDer mas que foi modificado para atender às especificidades dos Açores. Ou seja, perdeu-se uma grande oportunidade pelo menos no que toca a área apícola. E porque digo isso? Ora vejamos:
- No continente português um apicultor apenas precisa de encontrar e contratualizar 2 bons terrenos para implementar 200 colmeias, o mínimo para iniciar uma atividade profissional com potencial para gerar um salário mínimo nacional ao apicultor. Nos Açores, para se obter o mesmo número de colmeias, o apicultor teria de contratualizar no mínimo 8 apiários pois só pode ter 25 colmeias por apiário no máximo. Logo ai o apicultor açoriano fica em desvantagem em relação aos seus colegas continentais. Terá de falar com os donos dos terrenos onde tem as abelhas e pedir a todos que assinem um contrato de cedência por empréstimo. Todos nós sabemos a aversão que um dono de um terreno tem em assinar este tipo de contrato. Se por outro lado o apicultor decidir arrendar os espaços, terá de necessariamente fazer um projeto de maior envergadura para poder pagar as rendas e aí já não seriam 8 apiários mas mais uns quantos. O pro-rural, onde era suposto ajustar o Proder às especificidades dos Açores nada alterou neste ponto e por isso ficamos em clara desvantagem. Não seria vantajoso que se apostasse em apoiar também os pequenos apicultores que não tem possibilidade de ter mais apiarios mas que poderiam melhorar as suas explorações? Não é este país onde mais de 95% dos apicultores são amadores? Apoie-se (digo eu) também a estes!

Prespetiva de Financiamento Pro-rural para apicultura. - Um ponto na portaria que regulamentava a atribuição do apoio Pro-rural, (artigo 6º alínea d) obrigava a que o projeto começasse a ter viabilidade económica para gerar um salário mínimo nacional pelo menos volvidos 3 anos do início da implementação do projeto. Não sei como se processa a implementação dum projeto de pecuária mas um projeto apícola nos Açores dificilmente terá essa viabilidade volvidos apenas 3 anos. Eu diria que uma exploração apícola precisaria para gerar tal lucro no mínimo dos mínimos 4 anos. Se não, façamos a seguinte simulação: no 1º ano imaginemos que um apicultor procura comprar enxames de abelhas no mercado fechado dos Açores (não se pode, e bem, importar enxames). Imaginemos que consegue que lhe vendam 20 enxames (acreditem, conseguir 20 enxames num ano, é obra em S. Miguel, imagine-se nas outras ilhas mais pequenas.) No 1º ano não faz desdobramentos pois comprou enxames em núcleos como é normal por estas paragens. No 2º ano imaginemos que tem sorte com as condições climatéricas e consegue desdobrar esse número inicial por 3 resultando em 60 enxames e adquire mais 30 enxames. Ou seja, passa a ter 90 enxames (isto com uma taxa de sobrevivência de 100% que como sabemos é quase impossível). No 3º ano dizia o Pro-rural que era para apresentar resultados, um salário mínimo nacional no mínimo. Com 90 enxames o apicultor depara-se com um dilema: faz desdobramentos e não tira mel mas atinge as 200 colmeias exigidas, ou tira mel mas não atinge lucro pretendido para pagar o seu salário. Mesmo se optar por fazer apenas um desdobramento por colónia ele conseguirá obter as quase 200 colmeias mas certamente não conseguirá retirar mel suficiente para já no 3º ano gerar no mínimo o seu salário. A agravar tudo isto ainda existe aquela famosa recomendação (quase obrigação) na apicultura: ‘nunca trabalhar sozinho num apiário’, logo, o projeto deverá prever um empregado pelo menos na fase critica. Mas para pagar mais uma pessoa já não se requer apenas 200 colmeias em 8 apiários. Serão necessários muitos mais apiarios e muitas mais colmeias. Como conseguir tudo isso em apenas 3 anos nos Açores? Estava o pro-rural adaptado realmente às especificidades dos apicultores açorianos? Na parte referente a apicultura, diria que este foi um copy past do PRODER, ou seja, não estava adaptado de forma nenhuma à apicultura regional.
Com todos esses obstáculos ultrapassados, acreditem, é apenas o começo. A burocracia exigida para apresentar e executar um projeto destes é um verdadeiro desafio. E pensava eu que para se ser apicultor tínhamos de saber trabalhar com abelhas. Burrice a minha...
É verdade que nos Açores não
temos varroa na maioria das ilhas e é porventura dos últimos sítios do planeta onde ainda não o há, e temos colmeias em criptoméria fantásticas que duram 3 ou 4 vezes mais que as dos colegas continentais e temos excelentes florações praticamente todo o ano e um mel monoflororal de incenso único no mundo. Num Éden como este, adivinhem quem faz de serpente. E viva o parente pobre da agricultura.
Saudações Apícolas.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Como instalar um apiário
Instalar um apiário hoje em dia
na ilha de S. Miguel é complicado e cada vez mais, isto, devido à falta de
lugares disponíveis ou disponibilizados para implementação de apiários na ilha.
Há quem aponte como solução a redução das distâncias entre apiários.
Pessoalmente discordo profundamente da alteração dessa lei porque apenas
iríamos colocar problemas semelhantes aos que hoje existem no Continente,
a saber, a densidade excessiva na implementação das colmeias. Há zonas em
Portugal Continental em que os apicultores têm de recorrer a alimentação de emergência
durante o inverno para colmatar a falta de alimento para as abelhas na
natureza. E depois claro que também as produções tem sido muito mais reduzidas.
Voltado ao assunto em pauta, para
os felizardos que ainda conseguem terrenos para implementar apiários e
sobretudo para os novos apicultores, (pois é velos por ai aos magotes,
provavelmente devido à onda de desemprego que se faz sentir) vou tentar fazer um
pequeno resumo das regras básicas de instalação de apiários. Na verdade,
instalar um apiário nos Açores não difere muito de instalar um apiário no Continente,
ou em Espanha ou em outro lugar qualquer. A única coisa que difere são as distâncias
regulamentares.
O terreno onde será implementado
o apiário deverá ser de bom acesso que possibilite a aproximação de um veículo para o transporte de material,
pois acreditem, um apiário longe dos meios de transportes tem fama de abrir
muitas e muitas dores nas costas dos apicultores. O terreno deve ser plano e,
se não for, o apicultor deverá fazer com que fique, pelo menos na zona
onde irão assentar as colmeias. As colmeias devem dentro do possível ficar voltadas para o lado
onde o sol nasce. Se isso não for possível, então o sul poente deverá ser a segunda melhor
opção. Em outros sítios do planeta há quem as vire para outras direções, mas sinceramente
não tenho conhecimento dos resultados desse tipo de montagem. O que se sabe é
que uma colmeia sobre a qual o sol incide na tábua de voo logo pela manhã, as
abelhas campeiras dessa colónia são estimuladas a começar o trabalho logo cedo. É prudente deixar um espaço atrás das colmeias que possibilite a aproximação e meneio do apicultor sem ter de passar pela frente das colónias. Isto é importante não só para segurança do apicultor, mas para não interferir com as abelhas campeiras que estão a regressar do campo. As colmeias nunca devem ficar junto ao chão pois isso provocaria um desgaste prematuro no
material e atrai mais facilmente formigas e outros bichos que importunam as
abelhas, para além da humidade a que o enxame fica sujeito. Assim, deve-se
elevar as colmeias do chão uns 20 a 50cm para um bom manuseamento. Podem usar-se
blocos de cimento com vigas em madeira ou em ferro a fazer de suporte para as colmeias. Os
blocos pintados não absorverão tanta água protegendo assim as vigas em madeira. As
vigas a ser em madeira devem ser fortes pois uma colmeia cheia de mel pode atingir um peso
superior a 50 kg. Lembre-se que o principal inimigo que temos nos Açores para
as colónias é a humidade. Mais do que o vento, mais do que o frio, é a humidade
que pode dizimar um enxame, e, nos Açores, a humidade é uma constante, por isso a
escolha de um local para o apiário deve ter em conta esse fator. Zonas onde
habitualmente existe nevoeiro, devem ser evitadas para instalação de apiários.
Por exemplo, as Sete Cidades em S. Miguel é uma zona com excelente floração,
talvez dos melhores sítios da ilha neste aspeto. No entanto, é sabido que a
viabilidade de criação de abelhas nesta zona é reduzida. Mesmo quem lá tem apiários,
normalmente retira-os por altura do inverno. Em contraste, o Nordeste que
apesar de ser uma das zonas mais frias da ilha, é viável manter lá um apiário
todo o ano sem grandes problemas pois trata-se dum Conselho que tem um clima
seco. O frio açoriano faz moça apenas em colónias pequenas que não têm abelhas suficientes para se aquecerem ou com reservas insuficientes.
Por lei os apiários devem ser rodeados em
todos os lados com sabes vivas ou muros com 2 m de altura no mínimo. Posso
dizer que é raro o apiário que cumpre com essa regra, por isso se não for possível,
essa será a primeira e se calhar a única lei que deverá desconsiderar. (No entanto,
se apanhar uma multa, não diga que fui eu quem disse isso :P) Mesmo que
desconsidere essa lei, convém sempre ter em atenção que é preciso proteger
pessoas e animais da “fúria” das abelhas. Infelizmente em S. Miguel as nossas
abelhas são todas híbridas e não há inseminação artificial e como tal é difícil
fazer uma seleção genética de abelhas mansas. Outros tempos houve em que tínhamos a abelha italiana em estado puro, uma raça extremamente mansa, mas que não se conseguiu perpetuar devido ao espaço geográfico a que estamos limitados e aos fundos públicos investidos num laboratório de inseminação artificial que em vez de abelhas, está às moscas. Assim, sendo as nossas abelhas relativamente agressivas
como geralmente o são, é necessário ter cuidados, nomeadamente por colocar vedação sempre
que possa haver pessoas ou animais por perto. A situação ideal relativamente à sobra necessária de verão ou ao Sol desejado de inverno, é colocar o apiario debaixo de uma latada de vinha ou Castanheiro pois no verão tais plantas fornecem sombra com as suas folhas caducas e no inverno perdem-as permitindo a passagem dos raios solares. O apiário deverá ser instalado no mínimo a
50 m de qualquer habitação ou estrada (excetuam-se caminhos agrícolas). Deverá
ter uma distância mínima do apiário mais próximo de 500 m e não deve exceder as
25 colónias. (Núcleos equivalem a 0,5 colónias). Não menciono a água que deverá
estar sempre disponível para as abelhas pois, excetuando-se se calhar Sta. Maria, a água
nos Açores é uma constante não constituindo grandes problemas. O apiario deverá conter o número de apicultor num local bem visível. Obviamente, antes de instalar o apiário
deverá regista-lo nos serviços de desenvolvimento agrário da sua ilha.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Qual a melhor colmeia
Uma das perguntas básicas
e que mais se faz quando se começa nas lides apícolas é: "Qual é a melhor
colmeia?" A resposta que se segue (normalmente por parte do apicultor mais
experiente) é algo do género: “Não existe colmeia ideal, cada um tem a sua opinião. A minha é…”
e segue-se a opinião pessoal daquele apicultor apresentando as razões para tal
escolha.
As colmeias são no
entanto diferentes umas das outras e não podem ter resultados iguais. Assim, a importância
da escolha da colmeia para a atividade é algo que não deve ser desconsiderado.
Importância da região
A região onde se vai desenvolver a atividade apícola é de suma importancia na escolha do modelo de colmeia. A região onde você mora tem um tipo de microclima específico o que influencia também a flora melífera. As temperaturas dentro das colmeias são controladas com maior ou menos facilidade dependendo dos modelos de colmeias. As reservas disponiveis numa colmeia assumem importancias diferentes nas regiões onde vai ser praticada a apicultura.Importância da rainha
Segundo se diz e
escreve na literatura apícola, uma rainha pode produzir entre mil e mais
de três mil ovos diariamente. A postura duma rainha varia conforme a idade, raça, entrada de néctar
na colónia, sua genética, qualidade das ceras, fecundação bem-sucedida ou não e tendências climáticas
da região onde está inserida.
Objetivo da exploração
Partindo do princípio
que a rainha provém duma boa prole, é jovem, foi bem fecundada, o local do apiário
é bom e as ceras são de boa qualidade, só resta saber para que propósito se destina a criação de abelhas. O propósito
mais comum é a produção de mel. Partindo desse pressuposto, analisemos os 3
modelos mais comuns de colmeias utilizados nos Açores.
Colmeia Lusitana
É sabido que para
uma colmeia produzir bem, tem de ter uma boa população, ou seja, uma colónia
forte produz mais do que 2 fracas, que juntas, equivaleriam em número de
abelhas à colónia forte. Neste aspeto, dos 3 modelos de colmeias mais comuns, a Lusitânia
fica em vantagem pois tem uma capacidade de albergação dum maior número de
abelhas. Essa colmeia no entanto apresenta algumas desvantagens começando logo
pelo preço. Dos 3 modelos mais comuns o que normalmente é comercializado a
preços mais elevados é a Lusitânia. Outra desvantagem apontada no clima específico
açoriano é devido às temperaturas amenas que temos, uma colmeia dessa dimensão a
não estar bem fortalecida, pode ter imensos problemas com o frio. Outra desvantagem
é o arranque do enxame numa colmeia de tão grande dimensão. É sabido que nos
Açores temos floração quase todo o ano pois não temos períodos de estiagem, mas,
no entanto, não temos grandes florações como no caso das grandes monoculturas
existentes em outras partes do planeta. Por isso para um enxame numa colmeia Lusitânia
arrancar em força leva mais tempo que as suas “rivais” ficando assim em
desvantagem nesse ponto. Mesmo assim há quem apresente boas vantagens. A rainha
no seu estado natural tem tendência a fazer a postura em círculos. Começa no
meio do quadro e vai alastrando para os lados. (Por isso é que se recomenda o
uso de meias alças em colmeias reversíveis para evitar a postura da rainha na
parte destinada ao mel) como das três colmeias a
que tem uma forma do quadro mais quadrangular é a Lusitânia, esta é mais apetecível
para as rainhas fazerem postura.
Também, de inverno, devido à grande capacidade
de armazenamento no ninho, dificilmente terá de se alimentar o enxame para este
aguentar o inverno. O controlo de
enxameação é melhor regulado neste modelo pois a rainha leva algum tempo a
encher o ninho. Uma face do quadro Lusitano tem capacidade para 3825 alvéolos.
| Postura em circulo em quadro Lusitânia Foto: apimoreira.blogspost.pt |
Colmeia reversível
Uma das grandes vantagens desta colmeia em relação à Lusitânia é
no arranque. Uma colmeia reversível (em condições favoráveis) arranca de tal
forma "rápido" que uma distração por parte do apicultor pode levar a uma
enxameação indesejável. Também, no mercado, esta é a colmeia que apresenta os
preços mais competitivos. Mantém os quadros em forma quase quadrangular sendo
assim uma vantagem em relação à langstrot. O peso é bastante mais leve que as
restantes colmeias o que facilita o transporte. Devido às alças serem iguais ao
ninho, esta colmeia também é muito boa na poupança de material, enquanto que na langstroth e lusitânia temos de ter normalmente dois tipos de material (ninho e
meias alças). A principal desvantagem desta colmeia a meu ver está no tamanho
do ninho que propicia a postura da rainha na alça tendo-se assim de usar um sobreninho. "Um sobreninho?" pensarão alguns, "um sobreninho acarreta custos". Sim, mas pense na dinamica da reversivel, no final da época pode-se fazer a creta e ainda nos "sobram" ninho e sobre-ninho na colmeia. Se no inverno temos o hábito de deixar apenas o ninho, das 2 uma: ou retiramos os quadros de reservas que estao no sobreninho o que nos aumenta a produção de mel, ou fazemos um ou até dois desdobramentos de fim de época (de preferencia com rainhas previamente preparadas). Em que outro modelo poderá fazer isso? Dificilmete arriscar-se ia mexer nas reservas ou nas abelhas do ninho de outros modelos de colmeias. Outra alternativa para tentar combater o fenómeno
da criação nas alças foi a criação da meia alça reversível pois acredita-se que esta desencoraja a postura da
rainha nessas zonas. Da experiência que tenho, isso nem sempre é verdade pois já
me deparei com quadros de meias alças repletas de criação, no entanto acredito
que de certa forma os casos de postura são reduzidos com meias alças. (Para mais informações sobre postura em meias alças, leia sobre o método de Manuel Oksman, apicultor argentino de renome)
Na altura da cresta
pensar-se-á que este modelo de colmeia é a o que produz menos. Mas isso não corresponde à realidade. E digo isto
porque? Porque apesar da menor capacidade de armazenamento de mel e de abelhas,
também não deixa de ser verdade que em pouco tempo uma colmeia reversível enche
o ninho, possibilitando a colocação de um sobreninho ou de efetuar mais desdobramentos e consequentemente mais enxames,
mais produção.
| Meia alça repleta de criação operculada Foto: apimoreira.blogspost.com |
Colmeias Langstroth
É o modelo mais utilizado em todo o mundo. Na verdade, tanto a
colmeia reversível como a Lusitânia foram adaptadas deste modelo. Tem a
vantagem de ter material disponível em todo o lado. Até da China se pode
encomendar material para a langstroth. Isto nos Açores não é propriamente uma
vantagem visto estarmos "isolados" do resto do mundo e os restantes modelos também
terem boa representação cá na região. A nível de preços digamos que está na
posição intermédia, ou seja, não costuma ser tão cara como a Lusitânia nem tão
barata como a reversível. O seu quadro tem capacidade de albergar 3570 alvéolos por face ficando na posição intermédia. Normalmente são usadas meias alças que permitem
diminuir o peso na altura da cresta. Tem um ninho suficientemente grande para a
postura da rainha sem apresentar grandes problemas de postura nas meias alças. Mesmo assim há quem aposte na colocação de um sobreninho ou numa primeira meia-alça como complemeto do ninho.
Afinal qual o melhor modelo?
Tal como escrevi na introdução, quando é feita essa pergunta, o
apicultor responde que não há consenso quanto a isso mas, de seguida normalmente dá a sua
opinião pessoal. Valendo-me disso, passo a dar a minha opinião pessoal: sou da opinião que o modelo que apresenta mais vantagens nos
Açores é o reversível. Isto porque é a colmeia mais barata, mais leve (ideal para trasumar), que apresenta
melhor dinâmica de materiais, mais rapidamente se fortalece para as alturas das
florações, é mais facilmente aquecida durante o inverno devido à sua pequena dimensão,
possibilita mais desdobramentos mantendo assim as produções e é perfeitamente adaptada à flora açoriana pois como temos floração constante em praticamente todo o ano, não temos necessidade de grandes reservas no ninho. Usando dupla câmara de ninho, não há melhor para mudar ceras ou fazer desdobramentos. Claro que tem
algumas desvantagens em relação às outras mas que a meu ver podem ser facilmente
colmatadas. Apenas se exige da parte do apicultor mais atenção para não deixar
a colónia enxamear, e um melhor monitoramento da postura da rainha se está a
passar ou não para as alças. Em caso positivo, acrescentar mais uma alça ou
colocar grade excluidora são soluções. Devo acrescentar que não sou grande adepto de meias alças nas reversiveis e essas minhas dessecações baseiam-se nesse pressuposto.
O debate sobre qual a melhor colmeia surge diversas vezes entre conversas de apicultores e até hoje as
opiniões tem sido sempre muito divididas. Cabe a cada um ver no seu caso
pessoal qual o modelo que melhor se adequa à sua realidade tendo em conta o objetivo pretendido, a região onde você se insere, qualidade das mestras ou tempo pretendido para despender com as abelhas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

