terça-feira, 1 de abril de 2014

Algo pior que varrose...

Uma das alturas mais importantes no panorama da apicultura açoriana começa precisamente por esta altura, mais precisamente no final do inverno e estende-se até à primavera. Trata-se da floração do incenso que origina um mel Monofloral único no mundo. Comercializado a preços mais elevados do que o mel Multifloral, este ‘néctar dos deuses’ pode ser considerado como sendo uma grande dádiva que vem colmatar a falta de “dádivas” a que os apicultores nacionais e em particular os açorianos estão sujeitos por parte do ministério da agricultura e suas sucursais regionais. Quero com esta introdução mostrar o paradoxo que existe entre as boas condições para criar abelhas e as más condições providas por quem deveria ajudar, tudo isto neste espaço geográfico tão pequeno chamado Açores. Ora vejamos do que venho aqui tratar hoje:
  1.       Em S. Miguel nos Açores não se promove como se devia a apicultura de tal modo que sugiro que o laboratório de inseminação artificial de rainhas seja cedido a algum privado que faça uso dele. Se não funciona, feche-se! O mesmo acontecendo com a parte do tratamento das ceras e que se extinga de vez a secção apícola dos serviços de desenvolvimento agrário de S. Miguel. Formações podem e são feitas pela cooperativa Casermel e por outros privados. De resto não há mais utilidade em manter a referida secção apícola que só gasta dinheiro público e não faz absolutamente nada de relevante. Quantas vezes um apicultor se desloca aos referidos serviços para trocar cera e não há ninguém a atender. Queremos registar um apiario e não conseguimos porque não há ninguém que o faça (quando o funcionário está de férias) e reencaminham nos para outro gabinete e lá ninguém percebe de apicultura nem tem os programas para registo e reencaminham nos de novo e nunca mais saímos disso. A vontade não é deixar de registar os apiários? A mim já deu essa vontade. Há ceras no mercado regional que são vendidas sem passarem pela obrigatória esterilização e há pleno conhecimento disso mas não se faz nada. As pesquisas que são necessárias ao desenvolvimento da apicultura local podem e devem ser feitas pela Universidade dos Açores visto que de mais nenhum lado surgem resultados de pesquisas. Se não funciona e só serve para gastar dinheiro ao erário público: Feche-se!
  2.        Não sei que novas medidas de apoio serão dirigidas aos apicultores da região mas espera-se realmente uma franca melhoria em relação ao antigo programa de apoio, a saber, o pro-rural. Este referido programa é a versão açoriana do ProDer mas que foi modificado para atender às especificidades dos Açores. Ou seja, perdeu-se uma grande oportunidade pelo menos no que toca a área apícola. E porque digo isso? Ora vejamos:

  •        No continente português um apicultor apenas precisa de encontrar e contratualizar 2 bons terrenos para implementar 200 colmeias, o mínimo para iniciar uma atividade profissional com potencial para gerar um salário mínimo nacional ao apicultor. Nos Açores, para se obter o mesmo número de colmeias, o apicultor teria de contratualizar no mínimo 8 apiários pois só pode ter 25 colmeias por apiário no máximo. Logo ai o apicultor açoriano fica em desvantagem em relação aos seus colegas continentais. Terá de falar com os donos dos terrenos onde tem as abelhas e pedir a todos que assinem um contrato de cedência por empréstimo. Todos nós sabemos a aversão que um dono de um terreno tem em assinar este tipo de contrato. Se por outro lado o apicultor decidir arrendar os espaços, terá de necessariamente fazer um projeto de maior envergadura para poder pagar as rendas e aí já não seriam 8 apiários mas mais uns quantos. O pro-rural, onde era suposto ajustar o Proder às especificidades dos Açores nada alterou neste ponto e por isso ficamos em clara desvantagem. Não seria vantajoso que se apostasse em apoiar também os pequenos apicultores que não tem possibilidade de ter mais apiarios mas que poderiam melhorar as suas explorações? Não é este país onde mais de 95% dos apicultores são amadores? Apoie-se (digo eu) também  a estes!
    Prespetiva de Financiamento Pro-rural para apicultura.
  •          Um ponto na portaria que regulamentava a atribuição do apoio Pro-rural, (artigo 6º alínea d) obrigava a que o projeto começasse a ter viabilidade económica para gerar um salário mínimo nacional pelo menos volvidos 3 anos do início da implementação do projeto. Não sei como se processa a implementação dum projeto de pecuária mas um projeto apícola nos Açores dificilmente terá essa viabilidade volvidos apenas 3 anos. Eu diria que uma exploração apícola precisaria para gerar tal lucro no mínimo dos mínimos 4 anos. Se não, façamos a seguinte simulação: no 1º ano imaginemos que um apicultor procura comprar enxames de abelhas no mercado fechado dos Açores (não se pode, e bem, importar enxames). Imaginemos que consegue que lhe vendam 20 enxames (acreditem, conseguir 20 enxames num ano, é obra em S. Miguel, imagine-se nas outras ilhas mais pequenas.) No 1º ano não faz desdobramentos pois comprou enxames em núcleos como é normal por estas paragens. No 2º ano imaginemos que tem sorte com as condições climatéricas e consegue desdobrar esse número inicial por 3 resultando em 60 enxames e adquire mais 30 enxames. Ou seja, passa a ter 90 enxames (isto com uma taxa de sobrevivência de 100% que como sabemos é quase impossível). No 3º ano dizia o Pro-rural que era para apresentar resultados, um salário mínimo nacional no mínimo. Com 90 enxames o apicultor depara-se com um dilema: faz desdobramentos e  não tira mel mas atinge as 200 colmeias exigidas, ou tira mel mas não atinge lucro pretendido para pagar o seu salário. Mesmo se optar por fazer apenas um desdobramento por colónia ele conseguirá obter as quase 200 colmeias mas certamente não conseguirá retirar mel suficiente para já no 3º ano gerar no mínimo o seu salário. A agravar tudo isto ainda existe aquela famosa recomendação (quase obrigação) na apicultura: ‘nunca trabalhar sozinho num apiário’, logo, o projeto deverá prever um empregado pelo menos na fase critica. Mas para pagar mais uma pessoa já não se requer apenas 200 colmeias em 8 apiários. Serão necessários muitos mais apiarios e muitas mais colmeias. Como conseguir tudo isso em apenas 3 anos nos Açores? Estava o pro-rural adaptado realmente às especificidades dos apicultores açorianos? Na parte referente a apicultura, diria que este foi um copy past do PRODER, ou seja, não estava adaptado de forma nenhuma à apicultura regional.

 Com todos esses obstáculos ultrapassados, acreditem, é apenas o começo. A burocracia exigida para apresentar e executar um projeto destes é um verdadeiro desafio. E pensava eu que para se ser apicultor tínhamos de saber trabalhar com abelhas. Burrice a minha...
É verdade que nos Açores não temos varroa na maioria das ilhas e é porventura dos últimos sítios do planeta onde ainda não o há, e temos colmeias em criptoméria fantásticas que duram 3 ou 4 vezes mais que as dos colegas continentais e temos excelentes florações praticamente todo o ano e um mel monoflororal de incenso único no mundo. Num Éden como este, adivinhem quem faz de serpente. E viva o parente pobre da agricultura. 



Saudações Apícolas.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Como instalar um apiário




Instalar um apiário hoje em dia na ilha de S. Miguel é complicado e cada vez mais, isto, devido à falta de lugares disponíveis ou disponibilizados para implementação de apiários na ilha. Há quem aponte como solução a redução das distâncias entre apiários. Pessoalmente discordo profundamente da alteração dessa lei porque apenas iríamos colocar problemas semelhantes aos que hoje existem no Continente, a saber, a densidade excessiva na implementação das colmeias. Há zonas em Portugal Continental em que os apicultores têm de recorrer a alimentação de emergência durante o inverno para colmatar a falta de alimento para as abelhas na natureza. E depois claro que também as produções tem sido muito mais reduzidas.
Voltado ao assunto em pauta, para os felizardos que ainda conseguem terrenos para implementar apiários e sobretudo para os novos apicultores, (pois é velos por ai aos magotes, provavelmente devido à onda de desemprego que se faz sentir) vou tentar fazer um pequeno resumo das regras básicas de instalação de apiários. Na verdade, instalar um apiário nos Açores não difere muito de instalar um apiário no Continente, ou em Espanha ou em outro lugar qualquer. A única coisa que difere são as distâncias regulamentares.
O terreno onde será implementado o apiário deverá ser de bom acesso que possibilite a aproximação de um veículo para o transporte de material, pois acreditem, um apiário longe dos meios de transportes tem fama de abrir muitas e muitas dores nas costas dos apicultores. O terreno deve ser plano e, se não for, o apicultor deverá fazer com que fique, pelo menos na zona onde irão assentar as colmeias. As colmeias devem dentro do possível ficar voltadas para o lado onde o sol nasce. Se isso não for possível, então o sul poente deverá ser a segunda melhor opção. Em outros sítios do planeta há quem as vire para outras direções, mas sinceramente não tenho conhecimento dos resultados desse tipo de montagem. O que se sabe é que uma colmeia sobre a qual o sol incide na tábua de voo logo pela manhã, as abelhas campeiras dessa colónia são estimuladas a começar o trabalho logo cedo. É prudente deixar um espaço atrás das colmeias que possibilite a aproximação e meneio do apicultor sem ter de passar pela frente das colónias. Isto é importante não só para segurança do apicultor, mas para não interferir com as abelhas campeiras que estão a regressar do campo.  As colmeias nunca devem ficar junto ao chão pois isso provocaria um desgaste prematuro no material e atrai mais facilmente formigas e outros bichos que importunam as abelhas, para além da humidade a que o enxame fica sujeito. Assim, deve-se elevar as colmeias do chão uns 20 a 50cm para um bom manuseamento. Podem usar-se blocos de cimento com vigas em madeira ou em ferro a fazer de suporte para as colmeias. Os blocos pintados não absorverão tanta água protegendo assim as vigas em madeira. As vigas a ser em madeira devem ser fortes pois uma colmeia cheia de mel pode atingir um peso superior a 50 kg. Lembre-se que o principal inimigo que temos nos Açores para as colónias é a humidade. Mais do que o vento, mais do que o frio, é a humidade que pode dizimar um enxame, e, nos Açores, a humidade é uma constante, por isso a escolha de um local para o apiário deve ter em conta esse fator. Zonas onde habitualmente existe nevoeiro, devem ser evitadas para instalação de apiários. Por exemplo, as Sete Cidades em S. Miguel é uma zona com excelente floração, talvez dos melhores sítios da ilha neste aspeto. No entanto, é sabido que a viabilidade de criação de abelhas nesta zona é reduzida. Mesmo quem lá tem apiários, normalmente retira-os por altura do inverno. Em contraste, o Nordeste que apesar de ser uma das zonas mais frias da ilha, é viável manter lá um apiário todo o ano sem grandes problemas pois trata-se dum Conselho que tem um clima seco. O frio açoriano faz moça apenas em colónias pequenas que não têm abelhas suficientes para se aquecerem ou com reservas insuficientes. 
 Por lei os apiários devem ser rodeados em todos os lados com sabes vivas ou muros com 2 m de altura no mínimo. Posso dizer que é raro o apiário que cumpre com essa regra, por isso se não for possível, essa será a primeira e se calhar a única lei que deverá desconsiderar. (No entanto, se apanhar uma multa, não diga que fui eu quem disse isso :P) Mesmo que desconsidere essa lei, convém sempre ter em atenção que é preciso proteger pessoas e animais da “fúria” das abelhas. Infelizmente em S. Miguel as nossas abelhas são todas híbridas e não há inseminação artificial e como tal é difícil fazer uma seleção genética de abelhas mansas. Outros tempos houve em que tínhamos a abelha italiana em estado puro, uma raça extremamente mansa, mas que não se conseguiu perpetuar devido ao espaço geográfico a que estamos limitados e aos fundos públicos investidos num laboratório de inseminação artificial que em vez de abelhas, está às moscas. Assim, sendo as nossas abelhas relativamente agressivas como geralmente o são, é necessário ter cuidados, nomeadamente por colocar vedação sempre que possa haver pessoas ou animais por perto. A situação ideal relativamente à sobra necessária de verão ou ao Sol desejado de inverno, é colocar o apiario debaixo de uma latada de vinha ou Castanheiro pois no verão tais plantas fornecem sombra com as suas folhas caducas e no inverno perdem-as permitindo a passagem dos raios solares. O apiário deverá ser instalado no mínimo a 50 m de qualquer habitação ou estrada (excetuam-se caminhos agrícolas). Deverá ter uma distância mínima do apiário mais próximo de 500 m e não deve exceder as 25 colónias. (Núcleos equivalem a 0,5 colónias). Não menciono a água que deverá estar sempre disponível para as abelhas pois, excetuando-se se calhar Sta. Maria, a água nos Açores é uma constante não constituindo grandes problemas. O apiario deverá conter o número de apicultor num local bem visível. Obviamente, antes de instalar o apiário deverá regista-lo nos serviços de desenvolvimento agrário da sua ilha.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Qual a melhor colmeia




Uma das perguntas básicas e que mais se faz quando se começa nas lides apícolas é: "Qual é a melhor colmeia?" A resposta que se segue (normalmente por parte do apicultor mais experiente) é algo do género: “Não existe colmeia ideal, cada um tem a sua opinião. A minha é…” e segue-se a opinião pessoal daquele apicultor apresentando as razões para tal escolha.
As colmeias são no entanto diferentes umas das outras e não podem ter resultados iguais. Assim, a importância da escolha da colmeia para a atividade é algo que não deve ser desconsiderado.

Importância da região

A região onde se vai desenvolver a atividade apícola é de suma importancia na escolha do modelo de colmeia. A região onde você mora tem um tipo de microclima específico o que influencia também a flora melífera. As temperaturas dentro das colmeias são controladas com maior ou menos facilidade dependendo dos modelos de colmeias. As reservas disponiveis numa colmeia assumem importancias diferentes nas regiões onde vai ser praticada a apicultura. 


Importância da rainha

Segundo se diz e escreve na literatura apícola, uma rainha pode produzir entre mil e mais de três mil ovos diariamente. A postura duma rainha varia conforme a idade, raça, entrada de néctar na colónia, sua genética, qualidade das ceras, fecundação bem-sucedida ou não e tendências climáticas da região onde está inserida.

 Objetivo da exploração

Partindo do princípio que a rainha provém duma boa prole, é jovem, foi bem fecundada, o local do apiário é bom e as ceras são de boa qualidade, só resta saber para que propósito se destina a criação de abelhas. O propósito mais comum é a produção de mel. Partindo desse pressuposto, analisemos os 3 modelos mais comuns de colmeias utilizados nos Açores. 

Colmeia Lusitana

É sabido que para uma colmeia produzir bem, tem de ter uma boa população, ou seja, uma colónia forte produz mais do que 2 fracas, que juntas, equivaleriam em número de abelhas à colónia forte. Neste aspeto, dos 3 modelos de colmeias mais comuns, a Lusitânia fica em vantagem pois tem uma capacidade de albergação dum maior número de abelhas. Essa colmeia no entanto apresenta algumas desvantagens começando logo pelo preço. Dos 3 modelos mais comuns o que normalmente é comercializado a preços mais elevados é a Lusitânia. Outra desvantagem apontada no clima específico açoriano é devido às temperaturas amenas que temos, uma colmeia dessa dimensão a não estar bem fortalecida, pode ter imensos problemas com o frio. Outra desvantagem é o arranque do enxame numa colmeia de tão grande dimensão. É sabido que nos Açores temos floração quase todo o ano pois não temos períodos de estiagem, mas, no entanto, não temos grandes florações como no caso das grandes monoculturas existentes em outras partes do planeta. Por isso para um enxame numa colmeia Lusitânia arrancar em força leva mais tempo que as suas “rivais” ficando assim em desvantagem nesse ponto. Mesmo assim há quem apresente boas vantagens. A rainha no seu estado natural tem tendência a fazer a postura em círculos. Começa no meio do quadro e vai alastrando para os lados. (Por isso é que se recomenda o uso de meias alças em colmeias reversíveis para evitar a postura da rainha na parte destinada ao mel) como das três colmeias a que tem uma forma do quadro mais quadrangular é a Lusitânia, esta é mais apetecível para as rainhas fazerem postura.
Postura em circulo em quadro Lusitânia
Foto: apimoreira.blogspost.pt
Também, de inverno, devido à grande capacidade de armazenamento no ninho, dificilmente terá de se alimentar o enxame para este aguentar o inverno.  O controlo de enxameação é melhor regulado neste modelo pois a rainha leva algum tempo a encher o ninho. Uma face do quadro Lusitano tem capacidade para 3825 alvéolos.


Colmeia reversível

Uma das grandes vantagens desta colmeia em relação à Lusitânia é no arranque. Uma colmeia reversível (em condições favoráveis) arranca de tal forma "rápido" que uma distração por parte do apicultor pode levar a uma enxameação indesejável. Também, no mercado, esta é a colmeia que apresenta os preços mais competitivos. Mantém os quadros em forma quase quadrangular sendo assim uma vantagem em relação à langstrot. O peso é bastante mais leve que as restantes colmeias o que facilita o transporte. Devido às alças serem iguais ao ninho, esta colmeia também é muito boa na poupança de material, enquanto que na langstroth e lusitânia temos de ter normalmente dois tipos de material (ninho e meias alças). A principal desvantagem desta colmeia a meu ver está no tamanho do ninho que propicia a postura da rainha na alça tendo-se assim de usar um sobreninho. "Um sobreninho?" pensarão alguns, "um sobreninho acarreta custos". Sim, mas pense na dinamica da reversivel, no final da época pode-se fazer a creta e ainda nos "sobram" ninho e sobre-ninho na colmeia. Se no inverno temos o hábito  de deixar apenas o ninho, das 2 uma: ou retiramos os quadros de reservas que estao no sobreninho o que nos aumenta a produção de mel, ou fazemos um ou até dois desdobramentos de fim de época (de preferencia com rainhas previamente preparadas). Em que outro modelo poderá fazer isso? Dificilmete arriscar-se ia mexer nas reservas ou nas abelhas do ninho de outros modelos de colmeias. Outra alternativa para tentar combater o fenómeno da criação nas alças foi a criação da meia alça reversível pois acredita-se que esta desencoraja a postura da rainha nessas zonas. Da experiência que tenho, isso nem sempre é verdade pois já me deparei com quadros de meias alças repletas de criação, no entanto acredito que de certa forma os casos de postura são reduzidos com meias alças. (Para mais informações sobre postura em meias alças, leia sobre o método de Manuel Oksman, apicultor argentino de renome)
Meia alça repleta de criação operculada
Foto: apimoreira.blogspost.com
Na altura da cresta pensar-se-á que este modelo de colmeia é a o que produz menos. Mas isso não corresponde à realidade. E digo isto porque? Porque apesar da menor capacidade de armazenamento de mel e de abelhas, também não deixa de ser verdade que em pouco tempo uma colmeia reversível enche o ninho, possibilitando a colocação de um sobreninho ou de efetuar mais desdobramentos e consequentemente mais enxames, mais produção. 


Colmeias Langstroth

É o modelo mais utilizado em todo o mundo. Na verdade, tanto a colmeia reversível como a Lusitânia foram adaptadas deste modelo. Tem a vantagem de ter material disponível em todo o lado. Até da China se pode encomendar material para a langstroth. Isto nos Açores não é propriamente uma vantagem visto estarmos "isolados" do resto do mundo e os restantes modelos também terem boa representação cá na região. A nível de preços digamos que está na posição intermédia, ou seja, não costuma ser tão cara como a Lusitânia nem tão barata como a reversível. O seu quadro tem capacidade de albergar 3570 alvéolos por face ficando na posição intermédia. Normalmente são usadas meias alças que permitem diminuir o peso na altura da cresta. Tem um ninho suficientemente grande para a postura da rainha sem apresentar grandes problemas de postura nas meias alças. Mesmo assim há quem aposte na colocação de um sobreninho ou numa primeira meia-alça como complemeto do ninho. 

Afinal qual o melhor modelo?

Tal como escrevi na introdução, quando é feita essa pergunta, o apicultor responde que não há consenso quanto a isso mas, de seguida normalmente dá a sua opinião pessoal. Valendo-me disso, passo a dar a minha  opinião pessoal: sou da opinião que o modelo que apresenta mais vantagens nos Açores é o reversível. Isto porque é a colmeia mais barata, mais leve (ideal para trasumar), que apresenta melhor dinâmica de materiais, mais rapidamente se fortalece para as alturas das florações, é mais facilmente aquecida durante o inverno devido à sua pequena dimensão, possibilita mais desdobramentos mantendo assim as produções e é perfeitamente adaptada à flora açoriana pois como temos floração constante em praticamente todo o ano, não temos necessidade de grandes reservas no ninho. Usando dupla câmara de ninho, não há melhor para mudar ceras ou fazer desdobramentos. Claro que tem algumas desvantagens em relação às outras mas que a meu ver podem ser facilmente colmatadas. Apenas se exige da parte do apicultor mais atenção para não deixar a colónia enxamear, e um melhor monitoramento da postura da rainha se está a passar ou não para as alças. Em caso positivo, acrescentar mais uma alça ou colocar grade excluidora são soluções. Devo acrescentar que não sou grande adepto de meias alças nas reversiveis e essas minhas dessecações baseiam-se nesse pressuposto.
O debate sobre qual a melhor colmeia surge diversas vezes entre conversas de apicultores e até hoje as opiniões tem sido sempre muito divididas. Cabe a cada um ver no seu caso pessoal qual o modelo que melhor se adequa à sua realidade tendo em conta o objetivo pretendido, a região onde você se insere, qualidade das mestras ou tempo pretendido para despender com as abelhas.