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domingo, 17 de abril de 2016

Mel de incenso 2016



O final de 2015 foi marcado por uma certa desilusão no que toca à produção de mel de verão, quando se esperava um ano como já não se via há muito, eis que o verão nos defraldou com produções muito baixas para aquilo que seria de esperar. As causas para isso poderão ter sido os dias anormais de chuva que tivemos. Embora pessoalmente esperasse que essa chuva viria apenas ajudar na contínua produção de néctar de trevo, vejo que foi chuva excessiva, que fez com que as abelhas em grande número dentro das colmeias fossem consumindo as reservas. O que safou um bocado a situação em 2015 foi um mel de incenso que em abril encheu alguns “potes”.

2016 Começou com um inverno muito rigoroso. Foram cerca de 3 semanas de intensa chuva, nevoeiro e até um furacão. Logo após o furacão começou o bom tempo e com ele (na ultima semana de janeiro) veio a floração de incenso. Ora, não sei se quem tem uma abordagem mais profissional à apicultura estava preparado para tão repentina floração. Confesso que de todos os apicultores que tenho conhecimento, incluindo eu, foram apanhados ‘de calças na mão’ com colmeias sem ter sequer esboçado um tímido arranque. Este facto atrasou muito a preparação das colmeias e muitos não conseguiram recuperar as colmeias a tempo de uma boa produção embora tivesse havido muitos dias de sol em fevereiro e março. Quem tem abelhas em zonas quentes pode ter o privilégio de dizer que ao menos produziu algum mel.
E assim foi a nossa primavera. Que venha o verão…

terça-feira, 21 de julho de 2015

Só 20kg por colmeia?

O verão já vai a mais de meio e o Trevo Branco continua a proporcionar este ano em S. Miguel um espetáculo que só os apicultores (e os agricultores mais esclarecidos) conseguem vislumbrar. São milhões de cabeças brancas nas pastagens, à beira de estradas, jardins, rotundas, baldios etc.


Tem sido um verão chuvoso, o que é bom para a continua produção de néctar de Trevo. Embora a chuva excessiva para a  época,  as abelhas não tem deixado de cumprir os seus deveres. A floração do Metrosidero foi bem melhor este ano que no ano passado e agora já começam a despontar aqui e ali a floração da Conteira, o que poderá tornar este ano apicula como um dos melhores na ultima década.

Outras florações com menos relevância mas com bom potencial, também têm mostrado o seu vigor, como é o caso da Silva, do Dente-de leão entre muitas outras o que me faz pensar que só no verão, uma colmeia boa e bem preparada, poderá tirar bem mais de 30 kg de mel, isso sem contar com o já extraído mel da primavera (incenso) onde as melhores, e mais bem situadas colmeias, puderam produzir cerca de 20 kg.

Uma boa Api.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Algo pior que varrose...

Uma das alturas mais importantes no panorama da apicultura açoriana começa precisamente por esta altura, mais precisamente no final do inverno e estende-se até à primavera. Trata-se da floração do incenso que origina um mel Monofloral único no mundo. Comercializado a preços mais elevados do que o mel Multifloral, este ‘néctar dos deuses’ pode ser considerado como sendo uma grande dádiva que vem colmatar a falta de “dádivas” a que os apicultores nacionais e em particular os açorianos estão sujeitos por parte do ministério da agricultura e suas sucursais regionais. Quero com esta introdução mostrar o paradoxo que existe entre as boas condições para criar abelhas e as más condições providas por quem deveria ajudar, tudo isto neste espaço geográfico tão pequeno chamado Açores. Ora vejamos do que venho aqui tratar hoje:
  1.       Em S. Miguel nos Açores não se promove como se devia a apicultura de tal modo que sugiro que o laboratório de inseminação artificial de rainhas seja cedido a algum privado que faça uso dele. Se não funciona, feche-se! O mesmo acontecendo com a parte do tratamento das ceras e que se extinga de vez a secção apícola dos serviços de desenvolvimento agrário de S. Miguel. Formações podem e são feitas pela cooperativa Casermel e por outros privados. De resto não há mais utilidade em manter a referida secção apícola que só gasta dinheiro público e não faz absolutamente nada de relevante. Quantas vezes um apicultor se desloca aos referidos serviços para trocar cera e não há ninguém a atender. Queremos registar um apiario e não conseguimos porque não há ninguém que o faça (quando o funcionário está de férias) e reencaminham nos para outro gabinete e lá ninguém percebe de apicultura nem tem os programas para registo e reencaminham nos de novo e nunca mais saímos disso. A vontade não é deixar de registar os apiários? A mim já deu essa vontade. Há ceras no mercado regional que são vendidas sem passarem pela obrigatória esterilização e há pleno conhecimento disso mas não se faz nada. As pesquisas que são necessárias ao desenvolvimento da apicultura local podem e devem ser feitas pela Universidade dos Açores visto que de mais nenhum lado surgem resultados de pesquisas. Se não funciona e só serve para gastar dinheiro ao erário público: Feche-se!
  2.        Não sei que novas medidas de apoio serão dirigidas aos apicultores da região mas espera-se realmente uma franca melhoria em relação ao antigo programa de apoio, a saber, o pro-rural. Este referido programa é a versão açoriana do ProDer mas que foi modificado para atender às especificidades dos Açores. Ou seja, perdeu-se uma grande oportunidade pelo menos no que toca a área apícola. E porque digo isso? Ora vejamos:

  •        No continente português um apicultor apenas precisa de encontrar e contratualizar 2 bons terrenos para implementar 200 colmeias, o mínimo para iniciar uma atividade profissional com potencial para gerar um salário mínimo nacional ao apicultor. Nos Açores, para se obter o mesmo número de colmeias, o apicultor teria de contratualizar no mínimo 8 apiários pois só pode ter 25 colmeias por apiário no máximo. Logo ai o apicultor açoriano fica em desvantagem em relação aos seus colegas continentais. Terá de falar com os donos dos terrenos onde tem as abelhas e pedir a todos que assinem um contrato de cedência por empréstimo. Todos nós sabemos a aversão que um dono de um terreno tem em assinar este tipo de contrato. Se por outro lado o apicultor decidir arrendar os espaços, terá de necessariamente fazer um projeto de maior envergadura para poder pagar as rendas e aí já não seriam 8 apiários mas mais uns quantos. O pro-rural, onde era suposto ajustar o Proder às especificidades dos Açores nada alterou neste ponto e por isso ficamos em clara desvantagem. Não seria vantajoso que se apostasse em apoiar também os pequenos apicultores que não tem possibilidade de ter mais apiarios mas que poderiam melhorar as suas explorações? Não é este país onde mais de 95% dos apicultores são amadores? Apoie-se (digo eu) também  a estes!
    Prespetiva de Financiamento Pro-rural para apicultura.
  •          Um ponto na portaria que regulamentava a atribuição do apoio Pro-rural, (artigo 6º alínea d) obrigava a que o projeto começasse a ter viabilidade económica para gerar um salário mínimo nacional pelo menos volvidos 3 anos do início da implementação do projeto. Não sei como se processa a implementação dum projeto de pecuária mas um projeto apícola nos Açores dificilmente terá essa viabilidade volvidos apenas 3 anos. Eu diria que uma exploração apícola precisaria para gerar tal lucro no mínimo dos mínimos 4 anos. Se não, façamos a seguinte simulação: no 1º ano imaginemos que um apicultor procura comprar enxames de abelhas no mercado fechado dos Açores (não se pode, e bem, importar enxames). Imaginemos que consegue que lhe vendam 20 enxames (acreditem, conseguir 20 enxames num ano, é obra em S. Miguel, imagine-se nas outras ilhas mais pequenas.) No 1º ano não faz desdobramentos pois comprou enxames em núcleos como é normal por estas paragens. No 2º ano imaginemos que tem sorte com as condições climatéricas e consegue desdobrar esse número inicial por 3 resultando em 60 enxames e adquire mais 30 enxames. Ou seja, passa a ter 90 enxames (isto com uma taxa de sobrevivência de 100% que como sabemos é quase impossível). No 3º ano dizia o Pro-rural que era para apresentar resultados, um salário mínimo nacional no mínimo. Com 90 enxames o apicultor depara-se com um dilema: faz desdobramentos e  não tira mel mas atinge as 200 colmeias exigidas, ou tira mel mas não atinge lucro pretendido para pagar o seu salário. Mesmo se optar por fazer apenas um desdobramento por colónia ele conseguirá obter as quase 200 colmeias mas certamente não conseguirá retirar mel suficiente para já no 3º ano gerar no mínimo o seu salário. A agravar tudo isto ainda existe aquela famosa recomendação (quase obrigação) na apicultura: ‘nunca trabalhar sozinho num apiário’, logo, o projeto deverá prever um empregado pelo menos na fase critica. Mas para pagar mais uma pessoa já não se requer apenas 200 colmeias em 8 apiários. Serão necessários muitos mais apiarios e muitas mais colmeias. Como conseguir tudo isso em apenas 3 anos nos Açores? Estava o pro-rural adaptado realmente às especificidades dos apicultores açorianos? Na parte referente a apicultura, diria que este foi um copy past do PRODER, ou seja, não estava adaptado de forma nenhuma à apicultura regional.

 Com todos esses obstáculos ultrapassados, acreditem, é apenas o começo. A burocracia exigida para apresentar e executar um projeto destes é um verdadeiro desafio. E pensava eu que para se ser apicultor tínhamos de saber trabalhar com abelhas. Burrice a minha...
É verdade que nos Açores não temos varroa na maioria das ilhas e é porventura dos últimos sítios do planeta onde ainda não o há, e temos colmeias em criptoméria fantásticas que duram 3 ou 4 vezes mais que as dos colegas continentais e temos excelentes florações praticamente todo o ano e um mel monoflororal de incenso único no mundo. Num Éden como este, adivinhem quem faz de serpente. E viva o parente pobre da agricultura. 



Saudações Apícolas.